Tartaruga quase condenada ganha batalha pela vida após cirurgia impressionante que remove 1 quilo de tumores.

Brasil

Uma história de sobrevivência chamou a atenção de pesquisadores e ambientalistas no Espírito Santo. Uma tartaruga-marinha encontrada em estado delicado na Praia Mole, na Serra, conseguiu superar um grave problema de saúde após passar por cirurgia e um longo período de tratamento.

O animal foi resgatado no dia 31 de março e encaminhado ao Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (IPRAM). Mesmo apresentando diversas lesões pelo corpo, a tartaruga chegou consciente, alerta e reagindo aos estímulos da equipe veterinária.

Durante os exames, os profissionais identificaram um caso avançado de fibropapilomatose, uma doença que provoca o surgimento de tumores em tartarugas marinhas. As lesões atingiam regiões como pescoço, cabeça, área próxima às nadadeiras dianteiras e região inguinal.

Um dos tumores chegou a comprometer a visão do animal, aumentando a gravidade do quadro. Diante da quantidade e do tamanho das formações, a equipe decidiu realizar uma cirurgia para retirar as áreas afetadas.

O procedimento foi realizado no dia 13 de maio. Durante a operação, os veterinários removeram diversos nódulos localizados no pescoço, na base das nadadeiras e na região craniana. Ao todo, aproximadamente um quilo de tumores foi retirado do corpo da tartaruga.

Segundo o médico-veterinário e presidente do IPRAM, Luis Felipe Mayorga, a cirurgia teve resultado positivo e a recuperação aconteceu dentro do esperado. Após o período de acompanhamento, o animal recebeu alta veterinária.

A equipe estima que a tartaruga tenha cerca de cinco anos de idade, embora a idade exata não possa ser determinada apenas pelo tamanho do casco, já que o crescimento desses animais depende de fatores como alimentação e condições ambientais.

Especialistas explicam que a fibropapilomatose está associada a um herpesvírus que circula entre as tartarugas marinhas. Porém, fatores ambientais podem contribuir para o agravamento da doença, principalmente em regiões costeiras afetadas por poluição e degradação ambiental.

O lançamento de esgoto no oceano é apontado como um dos fatores que podem enfraquecer o sistema imunológico desses animais. Substâncias presentes nesses resíduos, como bactérias, medicamentos, hormônios e outros contaminantes, podem afetar o equilíbrio do ecossistema marinho.

Apesar de não ser considerada a causa direta da doença, a poluição pode criar condições que favorecem a manifestação dos tumores e dificultam a recuperação das tartarugas.

O caso reforça a importância do cuidado com os oceanos e mostra como ações de resgate e reabilitação podem transformar histórias que pareciam sem solução.

Foto: IPRAM – Divulgação
Redação – Ana Flavia

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