A tensão nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu um nível inédito de hostilidade e baixaria corporativa. O ministro Nunes Marques bloqueou o decano Gilmar Mendes no aplicativo WhatsApp após uma troca de ofensas e acusações inflamadas. O desentendimento começou durante a votação na Segunda Turma que formou maioria pelo afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e escalou para cobranças diretas envolvendo citações a familiares de magistrados em mensagens encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O ambiente na Suprema Corte brasileira azedou de vez nos bastidores. A crise estourou quando o ministro Nunes Marques acompanhou o voto de Luiz Fux e referendou a decisão de André Mendonça para afastar o chefe da PF. A movimentação ocorreu em questão de minutos, logo após o ministro Gilmar Mendes ter pedido vista para paralisar o julgamento, o que foi interpretado pelo decano como uma manobra orquestrada e submissa.
Inconformado com a postura dos colegas, Gilmar Mendes enviou mensagens diretas e duras a Nunes Marques, subindo o tom ao afirmar que os ministros deveriam ter coragem para “abrir suas contas bancárias” e se declarar impedidos dos processos relacionados ao Banco Master. O decano foi além e cobrou que Nunes Marques deixasse a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Revoltado com os ataques, Nunes Marques exigiu respeito, afirmou que não manteria diálogo com quem não o respeitava e imediatamente bloqueou o colega no aplicativo de mensagens.
O clima entre os magistrados deteriorou-se ainda mais com o vazamento de diálogos extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As mensagens disponibilizadas a gabinetes da Corte indicam conversas sobre supostos repasses mensais no valor de R$ 500 mil destinados a Kevin Marques, filho de Nunes Marques. Em sessão pública no tribunal, o ministro renegou veementemente as acusações, garantiu que o filho jamais prestou serviços ao Banco Master e negou ter mantido qualquer tipo de contato ou conversa com Vorcaro.
Buscando conter os desdobramentos políticos do escândalo, Nunes Marques declarou-se impedido de participar do julgamento sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, alegando a necessidade de preservar a neutralidade de sua gestão à frente do TSE. A trinca de acusações, bloqueios e disputas de poder expõe a maior fratura interna da história recente do STF.
Foto: Reprodução / STF | Redação – Thiago Salles