Investigações da Polícia Federal que embasaram os mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelaram indícios de uma complexa engrenagem de lavagem de dinheiro envolvendo contratos públicos e a produção do filme Dark Horse. A apuração aponta que pelo menos R$ 6,1 milhões foram movimentados de forma triangular entre entidades mantidas pela empresária Karina da Gama e empresas prestadoras de serviço.
De acordo com o relatório da PF, o dinheiro partia do Instituto Conhecer Brasil (ICB) — ONG que detém um contrato de R$ 157 milhões com a Prefeitura de São Paulo para a manutenção do programa de wi-fi comunitário —, era repassado a companhias terceirizadas e, posteriormente, retornava para a Academia Nacional de Cultura (ANC). A ANC é outra organização social pertencente a Karina da Gama e que compartilha o mesmo endereço sede no bairro dos Jardins, na capital paulista.
As empresas citadas pelos investigadores no repasse de recursos para a ANC incluem a Complexsys Soluções Integradas (R$ 3,93 milhões), a Ultra IP Tecnologia (R$ 1,33 milhão), a Fastfuture Tecnologias (R$ 603 mil) e a Distribuidora LMS (R$ 300 mil). Na decisão, o ministro Flávio Dino enfatizou que as transações apresentam fortes indícios de retorno das verbas públicas para o grupo controlador do ICB, sinalizando o desvio de recursos. Os empresários André Feldman, Débora Gomes Feldman e William Silva Ferreira, proprietários de três das terceirizadas, foram alvos da operação e estão proibidos de deixar o país.
Em nota oficial, a defesa de Karina da Gama afirmou ter ajuizado uma reclamação constitucional perante a Presidência do STF resguardando a competência do juiz natural, sustentando que a cliente já havia entregue mais de 20 mil páginas de documentos voluntariamente. A empresa Complexsys declarou que os valores recebidos foram empregados estritamente na manutenção da rede de wi-fi paulistana. Já a Prefeitura de São Paulo repudiou qualquer ligação entre verbas municipais e a produção do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que o contrato com o ICB é regular e acompanhado pela Controladoria Geral do Município.
Foto: Reprodução / Redes Sociais – Rodrigo Rodrigues / g1 – Redação – Thiago Salles