Noruega instala 10 mil antenas para investigar mistérios das auroras boreais e clima espacial.

Tecnologia

A Noruega, conhecida por ser um dos principais centros mundiais de observação das auroras boreais, está investindo em um novo sistema científico que promete revolucionar o estudo desse fenômeno natural. Cientistas estão instalando um complexo radar formado por cerca de 10 mil antenas para investigar em detalhes como surgem as chamadas “luzes do norte”.

O projeto, batizado de EISCAT 3D, está sendo implementado na cidade de Skibotn, localizada entre Tromsø e o histórico observatório de Halde, no norte do país. A tecnologia permitirá observar com mais precisão as interações entre partículas solares e o campo magnético da Terra, processo responsável pela formação das auroras.

As auroras boreais surgem quando partículas carregadas emitidas pelo Sol entram em contato com o campo magnético terrestre e colidem com gases presentes na atmosfera. Esse choque libera energia em forma de luz, criando os famosos feixes coloridos que iluminam o céu das regiões polares.

Dependendo dos elementos envolvidos nessas reações, diferentes cores podem surgir no fenômeno. Tons verdes e vermelhos costumam estar ligados ao oxigênio, enquanto as tonalidades violetas estão associadas ao nitrogênio.

O novo sistema de radar funcionará emitindo ondas de rádio que atravessam a ionosfera — camada da atmosfera que contém partículas ionizadas pela radiação solar. Ao analisar como essas ondas se dispersam ao encontrar elétrons livres, os pesquisadores poderão mapear a estrutura do plasma presente nessa região.

Com esses dados, os cientistas conseguirão gerar imagens tridimensionais detalhadas das auroras e acompanhar o fenômeno praticamente em tempo real.

A infraestrutura também será integrada a estações semelhantes localizadas na Finlândia e na Suécia, criando uma rede internacional de observação do céu ártico.

Além de ajudar a explicar melhor a formação das auroras, o projeto também contribuirá para o estudo do chamado clima espacial. Eventos solares intensos podem afetar satélites, sistemas de comunicação, navegação e até redes elétricas na Terra.

Segundo os pesquisadores envolvidos, compreender esses processos é essencial para prever possíveis impactos de tempestades solares e melhorar a proteção de tecnologias críticas utilizadas no planeta.

Foto: Frank Olsen
Redação – Thiago Salles

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