Não pude dar a ela meu abraço’: Beth Goulart desabafa sobre dor do isolamento na despedida de Nicette Bruno.

Brasil

Quase seis anos após a partida de uma das maiores veteranas da televisão brasileira, a atriz Beth Goulart trouxe a público um desabafo emocionado sobre a maior ferida deixada pela morte de sua mãe, Nicette Bruno. Em entrevista ao videocast Na Pilha, comandado por Tati Bernardi, Beth relembrou o doloroso período de internação da mãe, que faleceu em dezembro de 2020, aos 87 anos, em decorrência de complicações da Covid-19. Mais do que a velocidade da perda, o que ainda machuca a família foi a barreira do isolamento imposta pela crise sanitária mundial.

Nicette gozava de excelente saúde antes de receber o diagnóstico positivo para o coronavírus, o que tornou o desfecho um enorme choque para os familiares. A evolução do quadro clínico foi avassaladora, culminando no óbito em apenas três semanas.

“Em 21 dias, minha mãe partiu. Ela estava ótima. Então, foi um susto. Uma perda em que ela foi de uma forma isolada de nós. Eu não pude dar a ela a minha mão, meu abraço, meu afeto. Eu tive que fazer isso de uma forma energética”, revelou a atriz, detalhando a angústia de enfrentar os rígidos protocolos hospitalares da época.

O último adeus no CTI e a força dos irmãos

Durante o auge da pandemia, as diretrizes de segurança biológica limitavam drasticamente o acesso aos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) para conter o contágio. Beth contou que inicialmente acreditava ser impossível ver a mãe, mas mudou de postura após o conselho incisivo de uma amiga próxima. Vestindo paramentação médica completa de proteção, a atriz e seus irmãos conseguiram obter autorização para entrar no Centro de Terapia Intensiva (CTI).

Contudo, o momento do encontro já encontrou Nicette intubada e sem responder a estímulos externos. Apesar de a mãe estar inconsciente e de não ter havido uma troca verbal de palavras, Beth ressaltou que a presença física no local funcionou como um rito de passagem e uma despedida silenciosa fundamental para o início do luto familiar.

Livro sobre Paulo Goulart ganhou novo significado

A fatalidade cruzou o caminho de Beth Goulart em um momento de profunda imersão literária. Na ocasião, a atriz estava finalizando a escrita de um livro dedicado à memória de seu pai, o também ator Paulo Goulart, que faleceu em 2014 após travar uma batalha de quatro anos contra o câncer. A obra original havia sido desenhada para discutir a “perda assistida” e trazia, inclusive, relatos e depoimentos da própria Nicette Bruno sobre o casamento que durou mais de seis décadas.

Com o falecimento repentino da mãe, o projeto editorial precisou ser completamente reestruturado. O texto deixou de ser um memorial focado em uma única figura para se transformar em um tratado sensível e abrangente sobre a dor da ausência dupla, detalhando a experiência de perder os dois principais pilares afetivos e artísticos de sua vida em um curto espaço de tempo. Beth concluiu o desabafo pontuando que a espiritualidade e a fé foram as ferramentas que a permitiram ressignificar a saudade e aceitar a finitude: “Amar é deixar ir também”.

Foto: Redação – Thiago Salles

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