A Argentina vai às urnas neste domingo (26) para as eleições legislativas de meio de mandato, e o presidente Javier Milei chega ao pleito sob forte pressão política e econômica. A alta volatilidade do dólar, o risco de retorno da inflação de dois dígitos e os escândalos que abalam o governo compõem o cenário mais desafiador do mandatário desde que assumiu a Casa Rosada.
O partido Libertad Avanza, que governa o país, tem hoje apenas 44 das 257 cadeiras da Câmara dos Deputados e seis das 72 do Senado. Para manter poder de veto e aprovar suas reformas econômicas, Milei precisa ampliar essa base de apoio — tarefa que se tornou ainda mais difícil após a derrota na Província de Buenos Aires, o maior colégio eleitoral do país.
Além das dificuldades políticas, o governo enfrenta denúncias de corrupção que envolvem a Agência Nacional de Deficiência e atingem inclusive Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência. Outro golpe veio com o escândalo da Libra$, uma moeda digital promovida por aliados do governo que despencou em valor em questão de horas, alimentando suspeitas de manipulação de mercado.
Nas últimas semanas, a campanha também foi marcada pela retirada do candidato José Luis Espert, após acusações de ligações com o tráfico de drogas. Mesmo fora da disputa, seu nome continuará nas cédulas impressas, já que o prazo de substituição expirou — um episódio que aumenta o desgaste do partido às vésperas da votação.
A crise política tem reflexos diretos na economia. Após a derrota em Buenos Aires, o peso argentino despencou, o risco-país ultrapassou 1.000 pontos e as ações argentinas caíram em Wall Street. Apesar da intervenção do Tesouro dos EUA e do apoio público de Donald Trump, Milei admitiu que o país enfrenta um momento decisivo.
“Se Milei perder, os Estados Unidos não serão generosos com a Argentina”, disse Trump recentemente, em tom de advertência.
Os norte-americanos veem a Argentina como peça estratégica na disputa geopolítica com a China, devido às suas reservas de lítio, urânio e terras raras. A manutenção de Milei no poder é considerada fundamental para os interesses de Washington na região.
Internamente, o presidente tenta manter a confiança do mercado ao garantir que não alterará as bandas cambiais após a eleição e promete insistir em reformas trabalhistas, tributárias e previdenciárias. O resultado das urnas, no entanto, definirá se ele terá força política para avançar ou se enfrentará dois anos de instabilidade até o fim do mandato.
Foto: REUTERS/Al Dragon