Médica condenada a 17 anos por tortura em clínica de Ribeirão Preto está foragida há mais de dois meses.

Brasil

A Polícia procura a médica Maria Tereza Cabrera Bellini, condenada a 17 anos e seis meses de prisão por crimes de tortura cometidos em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Segundo as autoridades, ela está foragida há mais de dois meses.

Maria Tereza era sócia da clínica ao lado da irmã, Marluci Cabrera Bellini Henares, e do cunhado, Djalma Antônio Henares Júnior. Ela também atuava como responsável técnica pelo estabelecimento.

De acordo com a acusação do Ministério Público, a médica teria conhecimento de práticas utilizadas para controlar e intimidar os pacientes, incluindo o uso de medicamentos controlados para deixá-los dopados. Ela também teria intimidado internos para evitar que relatassem aos familiares ou às autoridades o que ocorria dentro da instituição.

O caso começou a ser investigado em agosto de 2014, depois que ex-internos e familiares procuraram o Ministério Público para denunciar agressões e maus-tratos.

Durante a operação realizada naquele ano, dez pacientes foram retirados da clínica. No local, policiais encontraram objetos como pedaços de madeira, cordas e faixas.

Ao longo do processo, 24 ex-internos prestaram depoimento. Os relatos incluíram denúncias de agressões físicas, pacientes amarrados, castigos psicológicos e administração forçada de medicamentos controlados. Também foram apresentadas acusações de violência sexual.

PROCESSO LEVOU 12 ANOS

O processo se prolongou por aproximadamente 12 anos entre o início das investigações e o encerramento dos recursos.

Os quatro condenados receberam penas de 17 anos e seis meses de prisão. Após recursos apresentados pela defesa, o caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça, que manteve a condenação em junho de 2026.

Com o trânsito em julgado, quando não existem mais recursos capazes de modificar a decisão, a Justiça determinou a prisão dos envolvidos.

Os proprietários da clínica, Marluci e Djalma, foram incluídos na lista de procurados da Interpol e acabaram presos em Portugal, em julho. Eles são alvo de um pedido de extradição para o Brasil.

Outro condenado, Angelo Bellini Neto, apontado como monitor de segurança da clínica, foi preso em Cravinhos, no interior paulista.

Já Maria Tereza não foi localizada nos endereços procurados pelas autoridades e permanece sendo procurada.

A investigação e o processo se referem a fatos ocorridos em 2014. As acusações mencionadas nesta reportagem correspondem ao conteúdo apresentado no processo e à condenação judicial definitiva

Foto: Reprodução/EP

Redação – Ana Flavia

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