A Universidade de São Paulo (USP) viveu uma madrugada de forte tensão neste domingo (10), após a Polícia Militar realizar a retirada dos estudantes que ocupavam o prédio da reitoria desde a última quinta-feira (7). A ação ocorreu por volta das 4h15 e terminou com denúncias de violência policial, estudantes feridos e quatro detenções.
Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE), os universitários participavam de uma mobilização iniciada ainda em abril, reivindicando melhorias em políticas de permanência estudantil, reajuste de bolsas e mudanças estruturais dentro da universidade.
De acordo com relatos de estudantes presentes no local, policiais utilizaram bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo, escudos e cassetetes durante a desocupação. Manifestantes também denunciaram a formação de um “corredor polonês”, prática em que detidos atravessam duas fileiras de agentes enquanto recebem golpes.
O DCE informou que pelo menos cinco estudantes precisaram de atendimento médico após a operação. Entre os casos relatados estão um aluno com o ombro deslocado, uma estudante com braço quebrado e outros universitários com escoriações e ferimentos leves.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo confirmou a presença de cerca de 50 policiais na operação, mas negou oficialmente o registro de feridos. Em nota, a SSP afirmou que “eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas”.
A própria USP declarou que a entrada da Polícia Militar não foi comunicada previamente à Reitoria. A universidade informou ainda que havia acionado a Secretaria de Segurança Pública logo após o início da ocupação, alegando preocupação com a segurança de servidores e funcionários.
Após a retirada dos manifestantes, policiais permaneceram no local realizando a guarda da reitoria. Barracas, cartazes e objetos dos estudantes continuaram espalhados pelo prédio durante a manhã deste domingo.
A Polícia Militar também afirmou ter encontrado danos ao patrimônio público, incluindo portas de vidro quebradas, catracas danificadas e móveis avariados. Segundo a SSP, facas, canivetes, bastões e entorpecentes teriam sido apreendidos dentro do prédio.
O movimento grevista reúne estudantes de mais de 100 cursos da USP. A principal reivindicação é o aumento do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE). Atualmente, os benefícios variam entre R$ 335 e R$ 885. Os estudantes exigem reajuste para R$ 1.804, equivalente ao salário mínimo paulista.
Além das bolsas, os manifestantes também criticam problemas ligados ao restaurante universitário, moradia estudantil e redução de funcionários no Hospital Universitário da USP.
A operação gerou reações divididas dentro da universidade. Faculdades como Direito e Medicina divulgaram notas apoiando a reitoria e defendendo o retorno das atividades acadêmicas. Já departamentos ligados à Filosofia, Psicologia e Direito do Trabalho repudiaram a ação policial e demonstraram apoio aos estudantes.

Até o momento, os estudantes afirmam que novas assembleias serão realizadas para definir os próximos passos da mobilização.
Foto: Felipe Rau/Estadão
Redação – Thiago Salles