Lula enquadra o PT no RS, derruba candidatura própria e entrega palanque a Juliana Brizola.

Política

O cenário eleitoral do Rio Grande do Sul sofreu uma reviravolta importante após o PT decidir abrir mão de uma candidatura própria ao governo estadual e aderir ao projeto liderado por Juliana Brizola, do PDT. A mudança marca um momento histórico para o partido no Estado, já que, pela primeira vez, a legenda deixa de encabeçar uma disputa ao Palácio Piratini.

A definição foi consolidada depois de forte articulação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que atuou para unificar o campo aliado no Estado. Para integrar o palanque nacional de Lula, o PDT condicionou o acordo ao apoio formal do PT ao nome de Juliana Brizola. Diante desse cenário, Edegar Pretto retirou sua pré-candidatura, abrindo espaço para a nova composição.

Nos bastidores, a expectativa é que Pretto passe a ocupar a vaga de vice na chapa encabeçada pela ex-deputada pedetista. Mesmo assim, o acerto está longe de encerrar os conflitos internos. Setores do PSOL, que vinham se alinhando ao nome de Pretto, demonstraram resistência à aliança com o PDT e ameaçam rever sua permanência no bloco oposicionista.

A decisão também foi respaldada por uma resolução política aprovada pelo PT, que orienta a construção da estratégia eleitoral gaúcha em conjunto com o PDT e demais partidos aliados, sob a liderança de Juliana Brizola. A frente reúne, além de PT e PDT, legendas como PSB, PSOL, PCdoB, PV e Rede. O argumento central da direção petista é fortalecer a campanha pela reeleição de Lula e evitar divisões no campo aliado.

O rearranjo, porém, acirrou o debate dentro do próprio petismo. Lideranças divergiram publicamente sobre o alcance da intervenção da direção nacional no processo regional. Enquanto parte do partido sustenta que a medida faz parte da estratégia nacional para 2026, outros quadros veem a decisão como imposição sobre a autonomia do diretório gaúcho.

No pano de fundo da disputa, pesquisas recentes indicam um cenário competitivo no Rio Grande do Sul. Levantamento do Real Time Big Data divulgado em março mostrou Luciano Zucco na liderança em um dos cenários estimulados, com Juliana Brizola em segundo, Edegar Pretto em terceiro e Gabriel Souza em seguida. O mesmo instituto também registrou cenários em que Juliana cresce sem a presença de Pretto na disputa, o que ajuda a explicar o interesse das siglas em consolidar uma candidatura única no campo da esquerda.

Com a nova configuração, o tabuleiro gaúcho entra em uma fase mais tensa e estratégica. O apoio do PT a Juliana Brizola amplia o peso político da chapa, mas também expõe fissuras internas e cria um novo desafio para a base lulista: manter a unidade local sem perder apoio entre setores que resistem ao acordo.

Foto: Pedro Kirilos/Estadão
Redação – Thiago Salles

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