A prática do home office voltou a diminuir no Brasil em 2024, segundo dados atualizados da Pnad Contínua divulgados pelo IBGE. O levantamento mostra que 6,58 milhões de pessoas trabalharam a partir de casa no ano passado, uma queda em relação ao pico registrado em 2022, quando mais de 6,7 milhões exerciam suas atividades no próprio domicílio.

Foto: Marcelo Camargo
A participação do trabalho remoto dentro do mercado também recuou: passou de 8,4% em 2022 para 7,9% em 2024. Esse movimento representa o segundo ano seguido de retração após o impulso provocado pela pandemia de covid-19, que consolidou o teletrabalho como alternativa temporária — e, em alguns casos, permanente — para diversas empresas.
Apesar da queda, o índice permanece superior ao registrado antes da pandemia, quando apenas 5,8% dos trabalhadores exerciam suas funções remotamente, em 2019. Em 2012, essa fatia era ainda menor, de 3,6%.
O IBGE destaca que a categoria “trabalho no domicílio” inclui não apenas quem trabalha literalmente em casa, mas também profissionais que utilizam escritórios compartilhados (coworkings) como base.
A pesquisa indica que as mulheres são maioria: 61,6% das pessoas em home office. Em proporção dentro do próprio grupo, 13% das mulheres trabalham remotamente, enquanto entre os homens essa fatia é de apenas 4,9%.
O recuo do home office também tem gerado atritos entre empresas e trabalhadores. Em novembro, o Nubank iniciou um processo de retorno gradual ao trabalho presencial, medida que levou à demissão de 12 funcionários, segundo o sindicato da categoria. Na Petrobras, empregados chegaram a realizar paralisações neste ano protestando contra a redução do teletrabalho.
O estudo ainda analisa outros ambientes de atuação profissional no país. A maior parte dos trabalhadores está em empreendimentos próprios (59,4%), seguida pelos que atuam em locais determinados pelo empregador (14,2%). Já a parcela que trabalha em veículos — que inclui motoristas de aplicativo, caminhoneiros e proprietários de food trucks — cresceu de 3,7% em 2012 para 4,9% em 2024, impulsionada pelo avanço de plataformas como Uber e 99.
Entre os homens, 7,5% trabalham dentro de um veículo; entre as mulheres, apenas 0,7%.
O levantamento considera um universo total de 82,9 milhões de trabalhadores, excluindo empregados públicos e trabalhadores domésticos.
Foto: Marcelo Camargo
Redação Brasil News