A ministra Gleisi Hoffmann, responsável pela articulação política do governo federal, abordou nesta terça-feira a recente autorização concedida pelo Ibama à Petrobras para iniciar a perfuração de um poço exploratório na região da foz do rio Amazonas, à frente da chamada Margem Equatorial brasileira.
Segundo a ministra, a licença é resultado de um processo que envolveu quase cinco anos de estudos técnicos, audiências públicas e adoção de medidas de proteção ambiental por parte da estatal. Ela enfatizou que o Ibama “exigiu os aprimoramentos indispensáveis, sobretudo nas medidas de resposta a emergências”.
Gleisi frisou que o Brasil tem autoridade para combinar soberania energética com liderança ambiental, afirmando que esta dupla condição será demonstrada na COP 30, que será sediada em Belém. “É por isso que o Brasil tem autoridade para garantir nossa soberania energética e, ao mesmo tempo, liderar globalmente a defesa do meio ambiente”, disse ela.
Embora o governo defenda a abordagem como técnica e transparente, a autorização enfrenta resistência de organizações ambientais que veem o projeto como um retrocesso frente à crise climática e aos compromissos internacionais do país — inclusive considerando a proximidade da COP 30.
A perfuração será realizada em águas profundas na costa do Amapá, e a Petrobras prevê que a sonda inicie os trabalhos “imediatamente”, com duração estimada de cerca de cinco meses na fase exploratória.
A controvérsia envolve não apenas a questão energética — a região é apontada como uma nova fronteira de exploração de petróleo e gás —, mas também o desafio ambiental, já que a foz do Amazonas representa ecossistema extremamente sensível. Críticos argumentam que a licença abre precedente para outras autorizações em regiões altamente vulneráveis.
A ministra concluiu reforçando o papel do governo em conciliar crescimento econômico, soberania energética e proteção ambiental. Para os próximos meses, o olhar estará na COP 30 e no desempenho das ações de monitoramento e resposta a emergências assumidas pela estatal e pelo Ibama.
Foto: VINÍCIUS SCHMIDT