Minneapolis voltou a ser palco de tensão, dor e revolta. A poucos quarteirões do local onde George Floyd foi assassinado em 2020, agentes federais de imigração mataram a tiros Renee Nicole Macklin Good, de 37 anos, dentro de seu carro. O episódio ocorreu em um bairro residencial e diverso da cidade, reacendendo memórias traumáticas ainda muito presentes na comunidade.
A morte de Floyd, em 25 de maio de 2020, provocou uma onda de protestos históricos nos Estados Unidos e se tornou um marco global no debate sobre racismo estrutural e violência policial. Agora, quase no mesmo perímetro, a morte de Renee voltou a levar milhares de pessoas às ruas.
Na quarta-feira (7), manifestantes se reuniram nas proximidades do antigo memorial de Floyd para protestar contra a presença e a atuação dos agentes federais, que vêm reforçando operações na cidade desde dezembro. Os protestos denunciaram o uso excessivo da força e a militarização das políticas migratórias.
O bairro onde ocorreu o tiroteio é conhecido por sua diversidade étnica, com populações negras e hispânicas expressivas, além de um histórico de ativismo político e movimentos ligados à classe trabalhadora. Moradores costumam destacar o desfile do Dia do Trabalho como o evento mais simbólico do ano, refletindo a identidade política da região.
Nos últimos anos, a área também enfrentou desafios sociais, como o surgimento de um grande acampamento de pessoas em situação de rua no Powderhorn Park, removido em grande parte pelas autoridades municipais. Desde então, moradores relatam aumento no tráfego, na presença policial e em ocorrências criminais, especialmente após 2020.
A intensificação das ações federais neste mês tem provocado confrontos frequentes entre agentes e ativistas dos direitos dos imigrantes. Para muitos manifestantes, a morte de Renee simboliza a continuidade de práticas violentas que a cidade prometeu combater após o caso George Floyd.
Flores, velas e mensagens foram deixadas em um memorial improvisado no local do tiroteio, enquanto a cidade tenta, mais uma vez, lidar com o impacto de uma morte que expõe feridas profundas e ainda não cicatrizadas.
Crédito da foto: Jamie Kelter Davis / The New York Times
Redação Brasil News