O pesadelo começou por volta das 3h da madrugada, quando a PM foi acionada para atender a um chamado na Avenida Moreira Guimarães. A denúncia informava sobre um jovem supostamente “transtornado” na região de uma passarela. Segundo informações colhidas pela investigação, Gustavo fazia tratamento psiquiátrico com o uso de antidepressivos e residia com a mãe e a irmã.
A versão apresentada pelos agentes no Boletim de Ocorrência afirma que Gustavo fugiu para a Alameda dos Guaramomis ao avistar a primeira viatura. Diante do cerco montado por outras três viaturas enviadas em apoio, o rapaz teria saído de uma área escura da fachada de um imóvel correndo em direção aos policiais e apontando um objeto escuro com os braços estendidos. Os PMs reagiram abrindo fogo de forma fuzilante. A perícia técnica confirmou posteriormente que o objeto era apenas o celular da vítima.
Em entrevista estarrecida, a irmã de Gustavo negou categoricamente qualquer suspeita de conduta criminosa e denunciou uma tentativa de incriminar o jovem para justificar o excesso militar. As câmeras corporais acopladas aos uniformes dos agentes registraram toda a dinâmica do ataque e as imagens já foram requisitadas pelos peritos do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga o caso na esfera civil.
A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) confirmou a apreensão das quatro pistolas utilizadas pelos policiais e o recolhimento do celular do jovem para passar por exames periciais. A pasta informou ainda a abertura de um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta dos agentes envolvidos, garantindo que não tolera desvios ou irregularidades e que aplicará punições severas caso comprovado o abuso de força na operação.
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