Crescente tensão política e temores de intervenção internacional fizeram com que aliados do ex-presidente Evo Morales intensificassem a segurança no principal reduto cocaleiro da Bolívia, na região central do país. O reforço das barreiras armadas ocorre em meio a temores de que Morales seja detido pelas autoridades bolivianas — possivelmente com cooperação da Drug Enforcement Administration (DEA) dos Estados Unidos — e até extraditado por supostos vínculos com crimes graves.
Morales, que governou a Bolívia entre 2006 e 2019 e atualmente mantém forte influência política entre aliados camponeses, enfrenta um mandado de prisão emitido em um processo que envolve graves acusações, as quais ele rejeita. Embora o líder indígena tenha permanecido resguardado no tropico de Cochabamba, local que se tornou seu bastião, a possibilidade de que agentes internacionais e policiais intensifiquem sua busca levou guardas leais a reforçarem defesas e vigilância.
A tensão também está ligada à decisão do novo governo de Rodrigo Paz, que assumiu a presidência em novembro e acenou com a reabertura de laços de cooperação com entidades de combate às drogas, incluindo a DEA — que esteve ausente do país por quase duas décadas após sua expulsão em 2008. Essa iniciativa gerou forte resistência entre produtores de coca e apoiadores de Morales, que veem a medida como uma ameaça direta à autonomia de sua comunidade e à proteção do líder.
O temor de que Morales seja acusado de narcotráfico ou de outros crimes mais graves e transferido para enfrentar processo nos Estados Unidos tem motivado a mobilização de milhares de campesinos, com rumores de que o número de guardas leais teria crescido substancialmente para impedir qualquer tentativa de prisão.
O clima de incerteza política ocorre em um momento já delicado da Bolívia, que enfrenta protestos, disputas internas e uma nova correlação de forças entre diferentes alas políticas desde a transição de governo. Qualquer movimento em direção à captura ou extradição de Morales deverá provocar repercussões regionais significativas.

Foto: © FERNANDO CARTAGENA
Redação Brasil News