Desinformação e tabu ainda impedem diagnóstico precoce do câncer de próstata no Brasil.

Saúde e Bem Estar

O câncer de próstata continua sendo uma das principais causas de morte entre os homens brasileiros — e o avanço da doença entre pacientes mais jovens acende um alerta. Segundo dados do Ministério da Saúde, o número de homens com até 49 anos atendidos para tratamento da doença aumentou 32% entre 2020 e 2024, saltando de 2,5 mil para 3,3 mil casos. Estima-se que o país registre 70 mil novos diagnósticos por ano.

O tema foi debatido no evento CB.Debate — Novembro Azul: a saúde do homem em foco, promovido pelo Correio Braziliense. Médicos e autoridades destacaram que o câncer de próstata tem altas chances de cura quando descoberto precocemente, mas ainda esbarra em desinformação, preconceito e resistência masculina.

O toque retal, principal método de diagnóstico junto ao exame de sangue PSA, ainda é cercado por tabus culturais e piadas, o que afasta muitos homens das consultas preventivas. “Há quem evite o exame por vergonha ou medo de impotência, algo que raramente ocorre. A consequência é o diagnóstico tardio, quando o tratamento se torna mais difícil”, alertam os especialistas.

Durante o evento, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) e médico, Vital do Rêgo, compartilhou um relato pessoal emocionado:

“Perdi meu pai por câncer de próstata em 2010. Ele acreditava que ficaria impotente se fizesse a cirurgia. Morreu por medo e falta de informação. Hoje sabemos que 90% dos casos são tratáveis quando descobertos a tempo.”

O movimento Novembro Azul tem como principal missão estimular o autocuidado e o acompanhamento médico regular, principalmente após os 45 anos de idade (ou 40 para quem tem histórico familiar da doença). Urologistas reforçam que a prevenção deve ser encarada como rotina, assim como o acompanhamento ginecológico é para as mulheres.

A mensagem é clara: o preconceito ainda mata mais que a doença. Informar, conversar e desmistificar o exame é um passo fundamental para reduzir mortes evitáveis e fortalecer a cultura da prevenção.

📸 Foto: Divulgação / Campanha Novembro Azul

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