A Associação do Futebol Argentino (AFA) tornou-se alvo de uma denúncia formal apresentada pela Agência de Arrecadação de Impostos e Controle Aduaneiro da Argentina (ARCA), que acusa a entidade e seu presidente, Claudio “Chiqui” Tapia, de irregularidades no recolhimento de tributos e contribuições previdenciárias. Segundo as autoridades, os valores envolvidos somam cerca de 7,5 bilhões de pesos argentinos, o equivalente a aproximadamente R$ 28,5 milhões.
De acordo com a investigação, a AFA teria retido quantias descontadas de terceiros e deixado de repassá-las ao Tesouro dentro do prazo legal, utilizando os recursos para custear suas próprias atividades. Em alguns episódios, os atrasos teriam ultrapassado 300 dias, o que, para a ARCA, caracteriza uso indevido de verbas públicas.
A denúncia foi encaminhada ao Tribunal Penal Econômico Federal, que deve apurar a responsabilidade da diretoria da entidade. Dirigentes da AFA, incluindo Tapia, passam a figurar como suspeitos no processo, ampliando o desgaste institucional da federação que comanda o futebol no país.
O caso se soma a outras apurações em andamento na Justiça argentina, que investigam possíveis crimes como sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e fraude. O acúmulo de acusações aumenta o risco de uma eventual intervenção estatal na AFA — cenário que preocupa a Fifa, já que interferências políticas podem resultar em punições severas, incluindo sanções esportivas.
No mesmo dia da apresentação da denúncia fiscal, operações policiais realizadas na região metropolitana de Buenos Aires resultaram na apreensão de dezenas de veículos de luxo supostamente ligados a dirigentes da entidade. As ações também incluíram diligências em estabelecimentos comerciais e imóveis associados à investigação.
Às vésperas da Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, a crise lança incertezas sobre a estabilidade administrativa da atual campeã mundial e mantém a AFA sob observação permanente das autoridades esportivas internacionais.
Foto: Reprodução / AFA
Redação Brasil News