Curitiba ganhou destaque nacional ao longo das últimas décadas por registrar um elevado número de acidentes envolvendo a aranha-marrom. Embora o animal atualmente esteja presente em diversas regiões do Brasil, pesquisadores explicam que a capital paranaense reúne condições que favoreceram tanto a proliferação da espécie quanto o desenvolvimento de importantes estudos científicos sobre seu comportamento.
Segundo especialistas, a elevada presença da aranha-marrom não está relacionada apenas ao clima ou à localização geográfica. O ambiente urbano, com residências que oferecem locais escuros, secos e pouco movimentados, cria esconderijos ideais para o animal. Caixas de papelão, depósitos, sótãos, frestas, móveis encostados às paredes e materiais armazenados por longos períodos são alguns dos locais preferidos pela espécie.
Pesquisas desenvolvidas ao longo de mais de três décadas também derrubaram antigos mitos. Ao contrário da crença popular, a aranha-marrom não é considerada agressiva. Os acidentes costumam ocorrer quando ela é pressionada contra o corpo, como ao vestir roupas, calçar sapatos ou manusear objetos onde estava escondida.
Outro ponto importante revelado pelos estudos é que o uso indiscriminado de inseticidas pode não resolver o problema e, em alguns casos, até aumentar o risco de acidentes. Além de eliminar predadores naturais da aranha-marrom, determinados produtos podem deixá-la mais agitada, favorecendo o contato com pessoas.
Os pesquisadores destacam que medidas simples são as mais eficientes para reduzir o risco. Entre elas estão manter os ambientes limpos e organizados, eliminar entulhos, vedar frestas, sacudir roupas, toalhas e calçados antes do uso e utilizar luvas ao mexer em materiais armazenados por muito tempo. Essas ações diminuem significativamente as chances de acidentes.
Outro aspecto observado pelos cientistas é a importância do equilíbrio ambiental. Espécies inofensivas, como algumas aranhas domésticas e lagartixas, atuam como predadoras naturais da aranha-marrom. A eliminação indiscriminada desses animais pode favorecer o aumento da população da espécie de interesse médico.
Especialistas reforçam que, em caso de picada, a recomendação é lavar o local com água e sabão e procurar atendimento médico o mais rápido possível, evitando tratamentos caseiros que possam agravar a lesão.
Foto: João Paulo Burini/Getty Images
Redação: Ana Flavia