Biólogo monitora a cor e a saúde de corais em Pedra Vermelha, na Resex Marinha de Arraial do Cabo (RJ), em 13/04/2026. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil (CC BY 3.0)
Cinco das oito regiões de recifes de corais costeiros do Brasil avaliadas pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) foram classificadas como "Criticamente em Perigo" na Lista Vermelha de Ecossistemas, divulgada na 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), em Yerevan, na Armênia, segundo a Agência Brasil em reportagem de 29 de outubro.
As regiões nessa categoria são Parrachos, Atol das Rocas e Fernando de Noronha, Costa dos Corais, Baía de Todos os Santos e Baixo Sul, e Abrolhos. Outras três, Parcel de Manuel Luís, Costa Semiárida e Queimada Grande, não tiveram dados suficientes para receber uma classificação geral de risco.
O enquadramento no nível crítico decorre da projeção de estresse térmico nos próximos 50 anos, com base em um cenário intermediário do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Considerando apenas as mudanças dos últimos 50 anos, Parrachos, Costa dos Corais e Atol das Rocas e Fernando de Noronha já se enquadrariam como críticas, e as outras duas, como "Em Perigo".
As ondas de calor marinhas são a principal ameaça. O estudo cita episódios de branqueamento severo e mortalidade de espécies-chave de corais em 2019/2020 e em 2024. Pesca excessiva, ocupação do litoral, turismo, sedimentos e nutrientes vindos de terra, exploração de petróleo e gás, mineração, navegação e espécies invasoras, como o coral-sol e o peixe-leão, também pressionam os recifes costeiros, que sofrem mais pressões acumuladas que os afastados da costa.
É a primeira avaliação global desses ecossistemas. No mundo, foram analisadas 127 ecorregiões em mais de 80 países e territórios, e 122 delas (96%) foram classificadas como criticamente em perigo. Só recifes rasos, iluminados pelo sol, foram avaliados; recifes profundos e de águas frias ficaram de fora.
Ana Lídia Gaspar, analista de conservação do WWF-Brasil, afirmou que "a falta de informação não pode ser lida como ausência de risco". A avaliação diz que ações locais devem complementar a ação climática global, mas não são capazes de impedir as ondas de calor marinhas, e que o corte rápido de emissões segue essencial. A Lista Vermelha é uma das ferramentas para revisar o Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, de dezembro de 2022, do qual o Brasil é signatário.
Fonte: Agência Brasil