Cientistas chineses criam técnica inédita que transforma carvão em substâncias usadas no combate ao câncer e vírus.

Saúde e Bem Estar

Pesquisadores da Peking University anunciaram uma descoberta científica que pode mudar os rumos da indústria química e farmacêutica mundial. A equipe chinesa desenvolveu uma técnica inovadora capaz de transformar compostos derivados do carvão em substâncias essenciais utilizadas na fabricação de medicamentos antivirais, antibacterianos e anticâncer.

O estudo foi publicado na renomada revista científica Nature e solucionou um desafio químico que permanecia sem resposta há mais de 160 anos.

A pesquisa foi liderada pelo cientista Jiao Ning e apresentou uma nova forma de converter olefinas — compostos químicos abundantes e baratos — em alcinos, moléculas raras e extremamente valiosas para a produção de fármacos sofisticados.

Na prática, a descoberta pode permitir que materiais derivados do carvão deixem de ser usados apenas em produtos simples, como plásticos, e passem a integrar cadeias industriais muito mais lucrativas e estratégicas, incluindo a produção de medicamentos avançados.

O diferencial da pesquisa está no uso de uma substância chamada selenantreno, criada originalmente no século XIX, mas que nunca havia sido aplicada dessa maneira. Segundo os cientistas, o composto atua temporariamente sobre a molécula original, reorganizando sua estrutura química de forma muito mais eficiente e limpa do que os métodos tradicionais.

Até então, esse tipo de transformação exigia temperaturas extremas, reagentes agressivos e processos altamente complexos, dificultando aplicações industriais em larga escala. A nova técnica promete simplificar a produção química, reduzir custos e evitar danos a estruturas moleculares sensíveis.

Além do impacto na medicina, a descoberta também fortalece a estratégia industrial da China. O país já utiliza carvão para produzir olefinas em larga escala, reduzindo a dependência de petróleo importado. Agora, com a nova tecnologia, essas matérias-primas podem ganhar valor agregado muito maior e impulsionar setores ligados à biotecnologia e química fina.

Especialistas avaliam que a descoberta pode abrir caminho para novos métodos de fabricação de medicamentos e acelerar pesquisas em áreas consideradas estratégicas para a saúde global.

Foto: Reprodução / Nature
Redação – Thiago Salles

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