A tensão entre China e Estados Unidos voltou a crescer neste fim de semana. Em comunicado oficial, o Ministério do Comércio chinês afirmou neste domingo (12) que “não deseja uma guerra tarifária, mas também não tem medo de enfrentá-la”, em resposta direta às novas ameaças do presidente Donald Trump.
Nos últimos dias, Trump anunciou a intenção de aplicar tarifas de até 100% sobre importações chinesas a partir de novembro, justificando a medida como uma retaliação às restrições impostas por Pequim à exportação de terras raras — minerais essenciais para a produção de tecnologias avançadas, como motores elétricos, sistemas de radar e smartphones.
O governo chinês classificou as declarações do presidente americano como “práticas equivocadas” e defendeu que as diferenças entre os países devem ser resolvidas por meio do diálogo, e não de ameaças.
“Recorrer frequentemente à pressão tarifária não é a forma adequada de manter relações estáveis com a China”, destacou o comunicado.
As novas medidas de Washington reacendem o temor de uma nova guerra comercial global, semelhante à que abalou os mercados entre 2018 e 2020. Analistas alertam que as tarifas podem impactar cadeias de suprimento em diversos setores, além de pressionar economias emergentes.
A China, responsável por cerca de 70% da produção mundial de terras raras, indicou que continuará concedendo licenças de exportação para usos civis legítimos, mas reforçou que tomará medidas “proporcionais” caso as sanções dos EUA avancem.
Foto: Xi Jinping e Donald Trump (SAUL LOEB, Andres MARTINEZ CASARES/AFP)