O comércio exterior brasileiro encerrou outubro com números expressivos. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o país exportou US$ 31,97 bilhões e importou US$ 25,01 bilhões, alcançando um superávit de US$ 6,96 bilhões — o melhor desempenho para o mês desde 1989.
Mesmo diante da redução nas vendas para os Estados Unidos, afetadas por tarifas impostas pelo governo norte-americano, o Brasil registrou alta de 9,1% nas exportações em comparação com outubro de 2024. O recuo de 37,9% nas transações com o mercado norte-americano foi compensado por avanços expressivos em outras regiões, especialmente na Ásia e na Europa.
De acordo com o levantamento, as exportações para a Ásia cresceram 21,2%, com destaque para a China (alta de 33,4%), Índia (55,5%), Cingapura (29,2%) e Filipinas (22,4%). Produtos como soja, petróleo bruto, minério de ferro e carne bovina puxaram o resultado. Já as vendas para o continente europeu aumentaram 7,6%, com forte desempenho dos embarques de cobre, carne e celulose.
A América do Sul também apresentou avanço, com elevação de 12,6% nas exportações, impulsionada principalmente pelo envio de óleos brutos de petróleo, que teve crescimento de 141%.
Segundo Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, a queda nas exportações aos Estados Unidos tem se intensificado nos últimos meses — 16,5% em agosto, 20,3% em setembro e 37,9% em outubro. Apesar disso, ele destacou que o impacto das tarifas foi amenizado pela força de outros mercados.
“Mesmo produtos não tarifados, como petróleo e celulose, sofreram redução nas vendas para os EUA. Mas o desempenho em outras regiões mostra a capacidade do Brasil de diversificar destinos e manter o crescimento das exportações”, afirmou Brandão.