O Brasil deve alcançar em 2025 o maior volume de exportação de gado vivo já registrado. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela consultoria Agrifatto, o país embarcou até setembro mais de 788 mil cabeças de gado, o que representa um crescimento de 16% em relação ao mesmo período do ano passado.
Se o ritmo continuar, o total pode chegar a 1,5 milhão de animais enviados ao exterior, número que consolidaria um novo recorde histórico nas exportações do setor.
Os principais destinos seguem concentrados no Oriente Médio e Norte da África, especialmente Turquia, Iraque, Marrocos e Egito, que juntos respondem por cerca de 80% dos embarques. A Arábia Saudita também vem ampliando sua participação.
Segundo a economista Lygia Pimentel, CEO da Agrifatto, a forte competitividade do boi brasileiro é o principal fator que impulsiona o avanço. “O boi brasileiro é atualmente o mais barato do mundo, o que torna o produto muito atrativo para o mercado internacional”, destacou.
O Pará lidera os embarques nacionais, responsável por quase 60% das exportações, seguido por Rio Grande do Sul e São Paulo. As operações estão concentradas em portos estratégicos, como o de Santarém, que oferece fácil acesso às rotas marítimas.
Apesar do crescimento expressivo, o envio de gado vivo ainda representa uma pequena fatia do total da pecuária brasileira — cerca de 3,5% do abate nacional estimado para este ano.
No Rio de Janeiro, o governo estadual estuda iniciar a exportação de animais pelo Porto do Açu, em São João da Barra, com o objetivo de ampliar o mercado e fortalecer a pecuária fluminense. O projeto piloto ainda não tem data de início, mas deve seguir todos os protocolos de bem-estar animal e segurança sanitária.
Com a expansão da demanda e novas rotas logísticas, o Brasil reforça seu papel como um dos maiores exportadores de gado do mundo, unindo volume, competitividade e potencial de crescimento no agronegócio.
Governo do Rio de Janeiro estuda iniciar a exportação de gado vivo pelo Porto do Açu, em São João da Barra. Foto: Adobe Stock