A compra da mineradora Serra Verde Pesquisa e Mineração pela USA Rare Earth, em um negócio avaliado em US$ 2,8 bilhões, pode representar um novo capítulo para o setor mineral brasileiro e para o mercado global de terras raras.
Localizada em Goiás, a operação da Serra Verde deve receber novos aportes financeiros para ampliar pesquisas e acelerar projetos de expansão. Segundo o CEO da empresa, Ricardo Grossi, o acordo permitirá fortalecer a capacidade produtiva e até dobrar o volume planejado na chamada “fase 2”, que pode ser definida até 2030.
Atualmente, a empresa já iniciou sua produção comercial e projeta alcançar uma capacidade de cerca de 6.400 toneladas anuais de óxidos de terras raras até 2027, com expectativa de operação por mais de duas décadas.
Além dos investimentos diretos, a expansão também deve gerar impacto no mercado de trabalho. A previsão é de contratação de aproximadamente 500 novos profissionais, somando-se ao quadro atual de mais de mil funcionários no Brasil.
A transação também amplia o acesso da empresa brasileira a tecnologias e operações internacionais, permitindo integração em toda a cadeia produtiva — da mineração à produção de ímãs — fora da Ásia. Esse ponto é estratégico, considerando que países como a China dominam atualmente cerca de 90% do processamento global de terras raras.
Os terras raras são essenciais para a produção de tecnologias modernas, incluindo veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas militares.
Apesar de possuir uma das maiores reservas do mundo, o Brasil ainda participa com uma fatia reduzida na produção global. Por isso, iniciativas como essa são vistas como oportunidades para o país avançar na industrialização e agregar valor à cadeia produtiva.
No entanto, ainda não há confirmação de etapas mais avançadas de industrialização no território nacional, como a produção de ímãs. Mesmo assim, o investimento já representa um passo importante para fortalecer a posição brasileira em um setor considerado estratégico para o futuro da economia global.
Foto: Reuters
Redação – Thiago Salles