Beber muito só no fim de semana também faz mal: especialistas alertam para riscos do consumo intenso de álcool.

Saúde e Bem Estar

A prática de “compensar” o estresse da semana com grandes quantidades de álcool nos fins de semana tem se tornado comum entre jovens e adultos — e também motivo de alerta entre especialistas em saúde. Embora muitas pessoas imaginem que beber ocasionalmente seria menos prejudicial, estudos mostram que o chamado consumo pesado episódico, conhecido como binge drinking, está entre os comportamentos mais arriscados relacionados ao álcool.

O padrão costuma seguir um roteiro cultural bastante difundido: uma rotina semanal marcada por disciplina e responsabilidades, seguida por dias de folga em que o consumo de bebidas alcoólicas cresce rapidamente. Termos populares como “sextou” e a prática do “esquenta”, quando alguém bebe bastante antes mesmo de chegar ao evento, reforçam o hábito de ingerir grandes volumes em intervalos curtos.

Pesquisas recentes indicam que o corpo sofre de forma significativa com esse tipo de consumo. O fígado, responsável por metabolizar o álcool, tem capacidade limitada; quando a quantidade ingerida excede o que ele consegue processar por hora, o álcool que permanece na corrente sanguínea se torna um agressor direto de diversos órgãos. Isso aumenta o risco de intoxicação, alterações cardiovasculares, problemas gástricos e danos hepáticos.

Além das consequências físicas, o comportamento está associado a maior risco de acidentes, envolvimento em brigas, episódios de impulsividade e desenvolvimento de dependência química. Um estudo publicado em 2022 revelou que pessoas que bebem moderadamente, mas com episódios intensos concentrados em poucos dias, têm quase cinco vezes mais chances de apresentar complicações relacionadas ao álcool.

Dados reunidos pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) mostram ainda que, no Brasil, o padrão de consumo intenso é especialmente comum entre jovens adultos, o que ajuda a explicar por que o país registra índices de problemas relacionados ao álcool semelhantes aos de nações onde a ingestão per capita é maior, como a França.

Especialistas destacam que o verdadeiro perigo está no volume ingerido em poucas horas — e não apenas na frequência. Embora muitos recorram ao álcool como tentativa de aliviar tensões, a ciência é clara: o corpo não consegue “negociar” os efeitos da substância. Consumir grandes quantidades em pouco tempo não oferece descanso, mas sim mais riscos.

A orientação é que o uso seja sempre moderado e consciente e que o álcool não seja utilizado como mecanismo para lidar com estresse, ansiedade ou sobrecarga emocional. Alternativas como exercício físico, descanso adequado, lazer equilibrado e apoio psicológico são mais eficazes e seguros.

Jornalista responsável pela foto: Freepik

Redação Brasil News

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *