A crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro ganhou novos capítulos em Brasília após a divulgação de áudios, mensagens e documentos ligados ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O material desencadeou uma forte ofensiva jurídica e política que já soma mais de 20 pedidos formais de investigação apresentados a diferentes órgãos federais.
As solicitações foram encaminhadas para instituições como Supremo Tribunal Federal (STF), Procuradoria-Geral da República (PGR), Polícia Federal (PF), Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Tribunal de Contas da União (TCU) e Controladoria-Geral da União (CGU).
O caso gira em torno de negociações envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo documentos divulgados, o projeto teria previsão de investimento de R$ 134 milhões, com cerca de R$ 61 milhões já repassados.
Após a repercussão, parlamentares da base aliada do governo Lula intensificaram pedidos de investigação. Deputados do PT e PSOL protocolaram representações solicitando abertura de inquérito, quebra de sigilo bancário e até prisão preventiva de Flávio Bolsonaro, alegando risco de destruição de provas e possível obstrução das investigações.
Além disso, partidos políticos também acionaram o Conselho de Ética do Senado pedindo a cassação do parlamentar por suposta quebra de decoro. O colegiado, porém, permanece sem reuniões desde 2024.
Outra linha de investigação tenta identificar se recursos públicos, incluindo emendas parlamentares, teriam sido usados indiretamente para beneficiar projetos ligados à produção cinematográfica. O ministro Flávio Dino, do STF, já autorizou abertura de investigação preliminar sobre possíveis irregularidades envolvendo verbas destinadas a projetos culturais.
Nos bastidores políticos, o episódio aumentou a pressão sobre o Banco Master e reacendeu pedidos para instalação de uma CPI no Congresso Nacional.
Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade. O senador afirma que as conversas tratavam exclusivamente de investimento privado no longa-metragem e acusa adversários de promoverem perseguição política e disseminação de fake news.
A equipe jurídica do pré-candidato acompanha os desdobramentos e não descarta acionar o Tribunal Superior Eleitoral caso identifique uso eleitoral das acusações durante o período pré-eleitoral.
Foto: Reprodução/CNN Brasil
Redação – Thiago Salles