Um possível surto de hantavírus a bordo de um navio de cruzeiro no Oceano Atlântico colocou autoridades de saúde em alerta. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, ao menos três mortes já foram associadas à suspeita de infecção, enquanto outros casos seguem sob investigação.
O episódio ocorreu no navio MV Hondius, que realizava uma viagem entre a Argentina e Cabo Verde. Segundo informações preliminares, um caso foi confirmado e outros cinco permanecem como suspeitos, com análises laboratoriais em andamento.
O hantavírus é transmitido principalmente por roedores e pode infectar humanos por meio da inalação de partículas presentes em fezes, urina ou saliva desses animais. A doença pode evoluir para quadros graves, como a Síndrome Pulmonar por Hantavírus (HPS), que apresenta sintomas iniciais semelhantes aos de uma gripe, mas pode rapidamente evoluir para insuficiência respiratória.
Entre os principais sinais estão febre, fadiga, dores musculares, tontura e problemas respiratórios. Em casos mais graves, a taxa de mortalidade pode chegar a cerca de 38%, segundo o Centers for Disease Control and Prevention.
No Brasil, a doença é conhecida como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH) e pode causar complicações severas nos sistemas respiratório e cardiovascular. Dados do Ministério da Saúde indicam que, entre 1993 e 2024, mais de 2 mil casos foram registrados no país, com alta taxa de letalidade.
Além da forma pulmonar, o vírus também pode causar a chamada Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS), mais comum na Europa e Ásia, afetando principalmente os rins e podendo levar a complicações como hemorragias internas e insuficiência renal.
Atualmente, não existe tratamento específico para o hantavírus. O manejo é baseado no controle dos sintomas, podendo incluir suporte respiratório, internação em UTI e, em casos extremos, ventilação mecânica.
Especialistas reforçam que a principal forma de prevenção é evitar o contato com roedores e seus resíduos, além de manter ambientes limpos e vedados. O uso de equipamentos de proteção também é recomendado ao lidar com áreas possivelmente contaminadas.
A OMS segue monitorando o caso e conduzindo investigações detalhadas para entender a origem e a extensão do possível surto.
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Redação – Thiago Salles