Enquanto o mundo busca alternativas viáveis para abandonar os combustíveis fósseis, uma tecnologia que transforma o “lixo em luxo” ganha força total. O biometano, combustível renovável obtido a partir da purificação do biogás, acaba de sofrer uma atualização em seus critérios de certificação na Europa (ISCC), tornando-se o novo padrão de ouro da economia verde.
O que antes era resíduo de cana-de-açúcar, dejetos de suínos ou lixo doméstico, agora é visto como a chave para a segurança energética. Na Europa, a meta é produzir 35 bilhões de metros cúbicos até 2030 para eliminar a dependência do gás estrangeiro. No entanto, os olhos do mercado global estão voltados para o Brasil.
Especialistas afirmam que o potencial brasileiro é colossal: nossa capacidade técnica supera 120 milhões de metros cúbicos por dia — o que seria suficiente para suprir quase metade de todo o consumo de gás natural do país. Graças à força do agronegócio e à recente “Lei do Combustível do Futuro”, o Brasil já projeta um crescimento explosivo de 215% na produção até 2027, com a inauguração de dezenas de novas usinas em estados como São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Além de ser uma alternativa mais barata e menos poluente que o diesel, o biometano coloca o Brasil no centro de um mercado que deve movimentar mais de US$ 10 bilhões nos próximos anos. Com o avanço das usinas sucroenergéticas, o país deixa de ser apenas um exportador de matéria-prima para se tornar um protagonista da tecnologia energética global, provando que o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental podem, sim, caminhar lado a lado.
Foto: Divulgação/Abiogás Redação – Thiago Salles