A primeira-dama Janja da Silva voltou a gerar repercussão nas redes sociais após comentar os vídeos de pessoas ingerindo detergente da marca Ypê em protesto contra uma decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Durante um evento realizado no Palácio do Planalto nesta segunda-feira, Janja criticou a atitude de apoiadores da direita que passaram a publicar vídeos consumindo produtos da marca após a suspensão temporária de alguns lotes.
“Até quando a gente vai ver gente bebendo detergente contaminado? É muita ignorância!”, declarou a primeira-dama.
A fala aconteceu durante a cerimônia de sanção do projeto de lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19.
A polêmica começou após a Anvisa publicar uma resolução suspendendo a fabricação e determinando o recolhimento de determinados lotes de lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes da Ypê com numeração final 1. Segundo a agência, foram identificadas irregularidades técnicas em etapas consideradas críticas do processo produtivo.
Após a decisão, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a questionar a medida nas redes sociais. Alguns usuários chegaram a gravar vídeos consumindo detergente como forma de protesto, alegando perseguição política contra a empresa.
A repercussão aumentou após informações de que os proprietários da marca teriam realizado doações para a campanha presidencial de Bolsonaro em 2022. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também compartilhou uma foto do produto nas redes sociais.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também comentou o assunto e reforçou que a Anvisa atua de maneira técnica e independente.
“A Anvisa não tem lado político. E ninguém deve ingerir detergente de nenhuma marca”, afirmou o ministro, alertando sobre os riscos da desinformação nas redes sociais.
Padilha ainda destacou que o diretor responsável pela área técnica da Anvisa foi indicado durante o governo Bolsonaro, rebatendo acusações de motivação ideológica na decisão da agência.
Na sexta-feira, após recurso apresentado pela empresa, os produtos foram liberados novamente pela Anvisa. Apesar disso, o órgão manteve a recomendação para que consumidores evitem utilizar os itens citados até a conclusão total do processo de recolhimento.
A discussão rapidamente dominou as redes sociais e dividiu opiniões entre apoiadores do governo e da oposição.
Foto: Reprodução/Instagram
Redação – Thiago Salles