Governo prepara perdão bilionário de dívidas com corte de até 90%, mas nova trava pode bloquear crédito de milhões de brasileiros

Economia

O governo federal está desenhando uma nova ofensiva para atacar um dos maiores dramas financeiros do país: o endividamento crônico das famílias brasileiras. A proposta que vem sendo chamada de Desenrola 2.0 inclui descontos expressivos para renegociação de débitos e um mecanismo para reduzir a exposição dos beneficiários a linhas de crédito com juros muito elevados, sobretudo o rotativo do cartão. Segundo reportagem da CNN Brasil, o plano está em fase final de elaboração e pode ser enviado por medida provisória ainda em 2026, mas até agora o texto oficial não foi divulgado pelo Palácio do Planalto nem pelo Ministério da Fazenda.

A espinha dorsal do novo programa seria a renegociação de dívidas com abatimentos de até 90%, a depender do perfil do débito e das condições acertadas com os credores. A lógica é semelhante à do Desenrola original, que já mostrou grande demanda por parte da população. Em balanços oficiais, o governo informou que o programa anterior alcançou milhões de brasileiros e renegociou dezenas de bilhões de reais em pendências financeiras, o que reforça a aposta em uma nova rodada de alívio para consumidores inadimplentes.

O ponto mais sensível da nova proposta é justamente o que a diferencia da versão anterior: a tentativa de impedir que quem renegociar volte rapidamente ao vermelho. De acordo com a apuração da CNN Brasil, o governo estuda criar uma trava para limitar o acesso a formas de crédito consideradas abusivas ou de alto risco. A principal preocupação recai sobre o rotativo do cartão, uma modalidade que continua entre as mais caras do sistema financeiro. Dados do Banco Central mostram que a taxa média anual dessa linha estava na casa de 436% ao ano em fevereiro de 2026, patamar que ajuda a explicar por que tantas famílias entram em efeito bola de neve depois de atrasar uma única fatura.

Na prática, a estratégia tenta combinar socorro imediato com prevenção. A ideia é não apenas limpar o nome de quem já está sufocado por dívidas, mas também reduzir a chance de reincidência. Esse desenho conversa com avaliações recentes do próprio governo sobre o Desenrola Brasil, que destacam o programa como uma política voltada à redução do endividamento da população de baixa renda por meio de renegociações com apoio público.

Apesar da expectativa criada em torno do tema, ainda existem pontos em aberto. Não foram oficialmente detalhados quais dívidas poderão entrar no novo programa, quais bancos e credores participarão, quais serão os filtros de renda ou inadimplência e de que maneira funcionará a trava sobre novos empréstimos. Também não há, até este momento, publicação oficial da medida provisória em portais do governo ou do Planalto confirmando as regras divulgadas na imprensa. Por isso, qualquer adesão, calendário e critério ainda dependem de confirmação formal.

Se a proposta avançar nos moldes que vêm sendo discutidos, o governo tentará atacar duas feridas ao mesmo tempo: aliviar o passivo de quem já não consegue pagar e reduzir a dependência de crédito caro no dia a dia. Para milhões de brasileiros, isso pode representar uma chance concreta de reorganizar o orçamento. Mas, sem a publicação oficial da medida, o Desenrola 2.0 ainda deve ser tratado como um plano em elaboração, e não como um programa já lançado.

Foto: Reprodução/PT
Redação – Thiago Salles

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