Cientistas da USP identificam “assinatura neuroimune” que pode prever cirrose e câncer em pacientes com hepatite.

Saúde e Bem Estar

Pesquisadores brasileiros ligados à Universidade de São Paulo (USP) apresentaram uma descoberta que pode representar um avanço importante no monitoramento da hepatite viral. O estudo identificou uma possível “assinatura neuroimune”, um padrão específico de genes que pode ajudar a prever quais pacientes têm maior risco de desenvolver complicações graves da doença.

A descoberta aponta para uma rede genética que conecta o sistema imunológico ao sistema nervoso, sugerindo que a evolução da hepatite pode estar ligada a interações complexas entre inflamação, funcionamento do fígado e sinais enviados ao cérebro.

Segundo os cientistas, essa assinatura pode funcionar como um biomarcador capaz de indicar precocemente o risco de progressão da doença para problemas como fibrose hepática, cirrose e câncer de fígado.

O que é a assinatura neuroimune

A chamada assinatura neuroimune consiste em um padrão de ativação de genes que atuam tanto na resposta imunológica quanto na comunicação entre células do sistema nervoso.

Em pacientes com hepatite viral crônica, pesquisadores observaram que essa rede genética apresenta um comportamento diferente do observado em pessoas saudáveis. Essa alteração pode indicar um estado persistente de inflamação no organismo.

Por meio de análises genéticas realizadas em sangue ou tecidos do fígado, os cientistas conseguem identificar quais genes estão mais ou menos ativos. Esses dados são então comparados com a evolução clínica dos pacientes.

Como a descoberta pode ajudar a prever complicações

Uma das principais dificuldades no tratamento da hepatite é que a doença pode evoluir silenciosamente durante anos. Muitos pacientes não apresentam sintomas evidentes até que o fígado já esteja comprometido.

Com a identificação dessa assinatura genética, médicos poderão futuramente identificar pacientes com maior risco de desenvolver complicações graves.

Entre as possíveis aplicações da descoberta estão:

• Identificação precoce de pacientes com maior risco de câncer de fígado
• Monitoramento mais intensivo de pacientes com maior probabilidade de evolução da doença
• Personalização do acompanhamento clínico
• Melhor compreensão dos mecanismos de inflamação crônica no fígado

Relação entre hepatite, fadiga e depressão

Outro ponto investigado no estudo é a ligação entre hepatite crônica e sintomas neurológicos ou psicológicos. Muitos pacientes relatam cansaço extremo, alterações de sono, dificuldades de concentração e sintomas depressivos, mesmo sem sinais avançados de dano hepático.

Os pesquisadores sugerem que a assinatura neuroimune pode explicar esse fenômeno. Alguns dos genes envolvidos estão ligados à produção de substâncias inflamatórias capazes de influenciar o funcionamento do cérebro.

Quando essas moléculas alcançam regiões cerebrais responsáveis pelo humor e pela sensação de energia, podem surgir sintomas como fadiga persistente e alterações emocionais.

Entre os mecanismos observados pelos cientistas estão:

Processo BiológicoEfeito no organismo
Ativação imune crônicaO organismo permanece em estado constante de inflamação
Liberação de mediadores inflamatóriosSubstâncias podem atingir o sistema nervoso
Alteração em circuitos neuraisRegiões ligadas ao humor e energia são afetadas
Sintomas clínicosCansaço intenso, depressão e alterações cognitivas

Impactos da descoberta para o futuro da medicina

Os pesquisadores afirmam que a descoberta pode contribuir para avanços na chamada medicina de precisão aplicada às doenças hepáticas. No futuro, o acompanhamento de pacientes com hepatite poderá incluir não apenas exames tradicionais, mas também análises genéticas capazes de indicar o risco de complicações.

Especialistas destacam, no entanto, que ainda são necessários estudos com um número maior de pacientes e acompanhamento ao longo de vários anos para validar o uso clínico dessa assinatura genética.

Mesmo assim, a descoberta coloca a ciência brasileira em posição de destaque nas pesquisas sobre hepatite e pode ajudar a desenvolver novas estratégias de diagnóstico, prevenção e tratamento da doença.

Foto: Portal Giro 10
Redação Brasil News

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