A delegada da Polícia Civil do Pará Amanda Souza voltou a falar sobre a tragédia que marcou sua vida em julho de 2023, quando perdeu os dois filhos, de 9 e 12 anos, vítimas de um duplo homicídio cometido pelo ex-companheiro. O relato veio à tona após a repercussão de um crime semelhante ocorrido recentemente em Itumbiara, em Goiás, que reacendeu lembranças dolorosas e reforçou o debate sobre a chamada violência vicária.
Segundo Amanda, o relacionamento terminou após sinais cada vez mais evidentes de comportamento possessivo e ciumento. Meses depois da separação, ela recebeu uma mensagem com ameaças e, no mesmo dia, uma ligação em que o ex-companheiro confessou ter tirado a vida das crianças, em um ato que destruiu a família e mudou completamente sua trajetória.
A delegada afirma que reviver essa experiência ao acompanhar o caso em Goiás trouxe forte abalo emocional, especialmente ao observar comentários nas redes sociais que responsabilizavam a mãe das vítimas. Para ela, esse tipo de reação evidencia a falta de compreensão sobre a dinâmica da violência de gênero e reforça padrões machistas ainda presentes na sociedade.
Amanda classifica o crime como típico de violência vicária — quando o agressor atinge pessoas próximas, especialmente os filhos, com o objetivo de causar sofrimento psicológico à mulher. Ela destaca que esse tipo de violência ainda carece de dados consolidados no Brasil, o que dificulta a criação de políticas públicas mais eficazes.
Hoje trabalhando em Belém, a delegada afirma que decidiu compartilhar sua história para ajudar outras mulheres a reconhecer sinais de relacionamentos abusivos e buscar apoio antes que situações extremas aconteçam. Ela também pretende aprofundar o estudo sobre violência vicária em pesquisas acadêmicas.
Entre os principais conselhos, Amanda ressalta a importância do autoconhecimento e da independência financeira como ferramentas fundamentais para que mulheres consigam romper ciclos de abuso com mais segurança. Para ela, informação e apoio são essenciais para prevenir novas tragédias.

Foto: Arquivo pessoal
Redação Brasil News