A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, adotou um tom contundente ao responder às críticas envolvendo o repasse de R$ 1 milhão da Embratur para a Liga das Escolas de Samba, que contempla a Acadêmicos de Niterói — agremiação responsável por abrir os desfiles do Carnaval 2026 com um enredo dedicado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para a ministra, os questionamentos sobre o envio da verba extrapolam o debate técnico e podem ser interpretados como preconceito contra a cultura popular. Gleisi ressaltou que o modelo de financiamento não é novo e que a parceria institucional ocorre diretamente com a Liga responsável pela organização do espetáculo, e não individualmente com cada escola.
A polêmica ganhou novos contornos após o Tribunal de Contas da União recomendar a suspensão do pagamento. A análise foi motivada por uma representação apresentada por parlamentares da oposição, elevando o caso ao centro da disputa política em Brasília.
No Congresso, aliados do governo saíram em defesa da iniciativa. O senador Lindbergh Farias afirmou que o apoio federal ao Carnaval segue uma prática histórica e destacou que os maiores investimentos continuam partindo do governo do Rio de Janeiro, que destinou cerca de R$ 40 milhões às escolas do Grupo Especial.
Somando repasses estaduais, municipais e federais, os recursos públicos destinados à Liga das Escolas de Samba chegam perto de R$ 80 milhões em 2026. Em nota, a entidade informou que ainda não foi oficialmente comunicada sobre qualquer decisão do tribunal e reforçou que cumpre as exigências legais.
A palavra final caberá ao ministro Aroldo Cedraz, relator do processo no TCU. Até lá, o episódio promete manter aceso o debate sobre transparência, incentivo cultural e limites do investimento público — especialmente quando política e Carnaval se encontram no mesmo enredo.
Foto: Divulgação / Partido dos Trabalhadores (PT)
Redação Brasil News