Parlamentares do governo e da oposição da Coreia do Sul se mobilizaram para acelerar a aprovação de um acordo comercial com os Estados Unidos, após o presidente Donald Trump ameaçar elevar tarifas sobre produtos sul-coreanos de 15% para 25%.
Segundo a agência Yonhap, o Partido Democrático, principal legenda da oposição, realizou consultas com autoridades do governo e anunciou que pretende analisar o projeto de lei e levá-lo à votação já no próximo mês. A sigla também defendeu apoio bipartidário, diante do risco de prejuízos econômicos caso as tarifas mais altas sejam efetivadas.
A reportagem destaca ainda que o partido governista respondeu a questionamentos levantados pelos Estados Unidos sobre o setor digital, esclarecendo que essas questões não estariam diretamente relacionadas à política tarifária anunciada por Trump.
Em paralelo, o gabinete presidencial sul-coreano informou nesta terça-feira (27) que pretende implementar o acordo tarifário e reagir com “calma” às declarações do presidente norte-americano. A porta-voz Kang Yu-jung ressaltou que qualquer mudança nas tarifas só entraria em vigor após a conclusão de procedimentos administrativos também nos Estados Unidos.
O presidente da Comissão Parlamentar de Comércio, Indústria e Energia, Lee Chul-gyu, afirmou que a aprovação de acordos internacionais no país costuma levar de seis a sete meses. Segundo ele, há uma percepção de que Washington não compreende plenamente o funcionamento do processo legislativo sul-coreano.
Ainda de acordo com o gabinete presidencial, uma reunião de emergência foi realizada na Casa Azul para avaliar o cenário e discutir estratégias de resposta. O encontro contou com a participação remota do ministro do Comércio, Indústria e Recursos, Kim Jung-kwan, que cumpre agenda oficial no Canadá.
Após encerrar os compromissos no país norte-americano, Kim deve viajar aos Estados Unidos para tratar diretamente das tarifas com o secretário de Comércio americano, Howard Lutnick. Além disso, o principal negociador comercial sul-coreano, Yeo Han-koo, também tem visita prevista a Washington nas próximas semanas para reuniões com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.
O movimento de Seul revela o grau de tensão nas relações comerciais bilaterais e o temor de que uma decisão unilateral de Washington provoque impactos imediatos na economia sul-coreana.
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Redação Brasil News