A liberação parcial da Ponte da Integração, que liga o Paraguai ao Brasil, virou motivo de revolta em Presidente Franco. Moradores e entidades locais programaram um protesto para esta segunda-feira (19), exigindo o fechamento total da estrutura até que as obras de acesso no lado paraguaio estejam devidamente concluídas.
A manifestação acontece na rotatória do bairro Tres Fronteras, ponto estratégico próximo à ponte, e conta com o apoio de diversas organizações da sociedade civil. No entendimento dos manifestantes, a ponte não deveria estar em operação enquanto o sistema viário prometido ainda não saiu do papel.
Atualmente, a travessia está autorizada apenas para caminhões vazios e somente no período noturno. Mesmo assim, a população afirma que a circulação já causa transtornos significativos, especialmente porque Presidente Franco não dispõe de vias adequadas para absorver esse fluxo pesado de veículos.
O projeto original prevê que o acesso à Ponte da Integração seja feito pelo Corredor Metropolitano del Este, um anel viário pensado justamente para desviar o tráfego do centro urbano. No entanto, a obra tem previsão de conclusão apenas em 2027. Até lá, a alternativa provisória obriga caminhões a cruzarem áreas densamente povoadas da cidade.
Entre as instituições envolvidas no ato está o Conselho de Desenvolvimento de Presidente Franco, que há anos alerta para os problemas. Em entrevista ao jornal ABC Color, o engenheiro Rogelio Rodríguez afirmou que os pareceres técnicos foram ignorados. Segundo ele, a abertura ocorreu por pressão política, resultando em um cenário de desorganização urbana.
O impasse se agrava porque há divergência entre lideranças regionais. Enquanto entidades de Presidente Franco defendem o fechamento da ponte, setores empresariais de Ciudad del Este pressionam pela abertura total, alegando prejuízos econômicos.
Na tentativa de amenizar os impactos, a Administração Nacional de Navegação e Portos habilitou recentemente um pátio de espera para caminhoneiros. A área, ainda em fase de finalização, tem dimensões equivalentes a dezenas de campos de futebol e deve servir como ponto de apoio até o horário autorizado para a travessia. Mesmo assim, moradores consideram a medida insuficiente.
Com obras atrasadas e decisões contestadas, a Ponte da Integração, que deveria simbolizar progresso e integração regional, passa a ser vista por parte da população como um problema antecipado — e não como solução.
Foto: Marcos Labanca / H2FOZ
Redação Brasil News