A capital do Irã foi palco, nesta segunda-feira (12), de grandes manifestações em apoio ao regime teocrático que governa o país há mais de quatro décadas. Milhares de pessoas ocuparam as ruas de Teerã, em atos organizados e amplamente divulgados pela mídia estatal, enquanto o país enfrenta uma onda de protestos que já deixou centenas de mortos.
Segundo veículos oficiais, os manifestantes participaram de cerimônias fúnebres em homenagem a agentes de segurança mortos durante os confrontos recentes. Um dia antes, o presidente Masoud Pezeshkian havia convocado a população para uma “marcha de resistência” contra o que classificou como ações de “terroristas urbanos”. Nesta segunda, o próprio presidente foi visto caminhando entre os apoiadores, cumprimentando a multidão que agitava bandeiras do país.
Os protestos contra o governo tiveram início no fim do ano passado, impulsionados pelo aumento do custo de vida, mas rapidamente passaram a questionar o próprio sistema político do país, instaurado após a Revolução Islâmica de 1979. Em pronunciamentos recentes, Pezeshkian reconheceu o descontentamento popular, mas afirmou que o governo não permitirá que “arruaceiros” e “sabotadores” coloquem o país em risco.
Em discurso inflamado na Praça Enqelab, o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que o Irã enfrenta uma “guerra em quatro frentes”: econômica, psicológica, militar contra Estados Unidos e Israel, além de uma guerra interna contra o terrorismo. Ele acusou grupos infiltrados de promover ataques, incluindo o incêndio de dezenas de mesquitas e ambulâncias — alegações que o governo atribui a inimigos externos.
Organizações internacionais, no entanto, traçam um cenário ainda mais grave. A ONG HRANA afirma que, desde 28 de dezembro, ao menos 538 pessoas morreram, sendo 490 manifestantes e 48 integrantes das forças de segurança. O número de presos ultrapassaria 10 mil. O regime iraniano não divulga balanços oficiais, e a verificação independente dos dados é limitada.
A escalada da violência reacende o alerta sobre o histórico de repressão do Irã a movimentos populares, especialmente contra mulheres e jovens. O país mantém leis ultraconservadoras, como a obrigatoriedade do uso do véu feminino, e costuma responder com força a qualquer ameaça percebida ao regime. Enquanto o governo mobiliza apoiadores nas ruas, a crise social e política segue longe de uma solução.
Foto: Majid Asgaripour / WANA (Reuters)
Redação Brasil News