Após mais de duas décadas de negociações, a União Europeia deu um passo decisivo para destravar o acordo comercial com o Mercosul. Diplomatas ouvidos por agências internacionais confirmaram que a maioria dos países do bloco aprovou provisoriamente o tratado nesta sexta-feira, abrindo caminho para a formalização do pacto que vinha sendo discutido desde 1999.
A decisão ainda depende da confirmação formal dos votos por escrito, mas o sinal político já foi dado. Com o aval do bloco, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar oficialmente o acordo na próxima semana, durante evento no Paraguai. Se concluído, o tratado criará a maior área de livre comércio do planeta.
O acordo prevê a redução gradual ou eliminação de tarifas, além da harmonização de regras para comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. Para o Brasil, maior economia do Mercosul, a medida amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores e promete impactos que vão além do agronegócio, alcançando também setores estratégicos da indústria nacional.
Apesar do avanço, o tratado segue cercado de controvérsias. Agricultores europeus, especialmente na França, veem o acordo como uma ameaça direta, alegando concorrência desleal com produtos sul-americanos mais baratos e produzidos sob regras ambientais diferentes das exigidas na União Europeia. Na véspera da votação, o presidente francês, Emmanuel Macron, reiterou que Paris votaria contra o texto, afirmando que os benefícios econômicos seriam limitados para a Europa.
A Irlanda também se posicionou contra o acordo, juntando-se a países como Hungria e Polônia. Já a Itália teve papel decisivo no desfecho. A sinalização favorável de Roma foi vista como o fator-chave para garantir a maioria necessária entre os 27 Estados-membros. A primeira-ministra Giorgia Meloni condicionou o apoio a garantias de proteção ao setor agrícola, após promessas da União Europeia de ampliar recursos destinados aos produtores rurais.
Com a aprovação provisória, o acordo UE-Mercosul entra em sua fase mais sensível: transformar décadas de negociações em um tratado efetivo. Para uns, trata-se de uma vitória histórica do livre comércio. Para outros, um risco que pode redesenhar o equilíbrio econômico e social dentro da Europa.

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Redação Brasil News