Combustível dobra de preço e povo reage com fome: Bolívia entra em ebulição após fim de subsídios históricos.

Internacional

A Bolívia vive dias de forte tensão social após a decisão do governo de eliminar os subsídios aos combustíveis, em vigor há cerca de duas décadas. Nesta segunda-feira (29), líderes sindicais, trabalhadores da mineração e donas de casa iniciaram uma greve de fome em La Paz, em um protesto que expõe a gravidade da crise econômica no país.

A medida, anunciada no último dia 18, encerrou uma política mantida durante os governos de Evo Morales e Luis Arce, período em que gasolina e diesel eram vendidos no mercado interno a preços subsidiados, apesar de serem importados a valores internacionais. O modelo, segundo autoridades, drenou as reservas do país e contribuiu para o atual colapso fiscal.

Com o corte do subsídio, o impacto foi imediato: o litro da gasolina passou a custar cerca de US$ 1, enquanto o diesel chegou a US$ 1,4. A alta abrupta fez os preços de alimentos, transporte e serviços dispararem, agravando uma inflação que já rondava os 20% ao ano antes mesmo da medida.

Em resposta, 18 manifestantes — entre sindicalistas e donas de casa — iniciaram um jejum voluntário na sede da Federação dos Trabalhadores da Mineração. “Tudo ficou mais caro de uma hora para outra. A conta não fecha para quem vive do dia a dia”, relatou uma das participantes do protesto.

O principal dirigente sindical do país, Mario Argollo, liderou uma nova marcha pelas ruas da capital e prometeu manter mobilizações diárias até que o governo recue. Segundo ele, a greve de fome é apenas o início de uma escalada de pressão popular.

Do outro lado, o presidente Rodrigo Paz foi categórico ao descartar o retorno dos subsídios. De acordo com o governo, o antigo modelo alimentava esquemas de contrabando e corrupção, além de beneficiar redes ilegais que revendiam combustível subsidiado fora do país.

A crise coloca a Bolívia diante de um impasse delicado: manter o ajuste econômico para evitar o colapso das contas públicas ou ceder à pressão popular em um cenário de crescente instabilidade social. Enquanto isso, a população sente no bolso os efeitos imediatos de uma decisão que já mudou radicalmente a rotina do país.

Foto: Jorge Bernal / AFP
Redação Brasil News

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