O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a causar forte repercussão internacional ao afirmar que forças norte-americanas destruíram recentemente instalações usadas para o armazenamento e escoamento de drogas na Venezuela. Segundo ele, a ação teria ocorrido na semana passada, mas sem divulgação oficial de dados, imagens ou confirmação por parte das autoridades militares.
A declaração foi feita inicialmente durante uma conversa telefônica com o empresário e radialista John Catsimatidis, aliado político de Trump. Na ocasião, o presidente afirmou que uma grande estrutura localizada em um cais — usada, segundo ele, para o envio de drogas por via marítima — teria sido completamente destruída em uma operação noturna.
Questionado novamente dias depois, Trump reforçou a versão e afirmou que houve uma explosão de grandes proporções na área portuária, seguida de ataques a embarcações e à infraestrutura local. “É uma área de operações. É onde eles atuam. E isso não existe mais”, declarou, elevando o tom do discurso.
Apesar da gravidade das afirmações, nem as Forças Armadas dos EUA, nem a CIA, tampouco a Casa Branca confirmaram oficialmente qualquer incursão militar em solo venezuelano. O governo de Nicolás Maduro também não reconheceu a ocorrência de ataques em seu território.
Nos últimos meses, Washington intensificou operações navais no Caribe e no leste do Pacífico, alegando combate ao narcotráfico. Dezenas de embarcações foram interceptadas ou atacadas, ações que geraram críticas de especialistas em direito internacional, que classificam parte dessas operações como ilegais ou desproporcionais. Organizações independentes apontam que mais de cem pessoas morreram nessas ofensivas.
Paralelamente, os Estados Unidos deslocaram para a região seu mais moderno porta-aviões, o USS Gerald R. Ford, dentro da chamada operação “Lança do Sul”, ampliando a pressão militar sobre Caracas.
Embora Trump justifique a ofensiva como uma cruzada contra o narcotráfico, analistas observam que o foco da estratégia norte-americana passou a incluir diretamente o setor energético venezuelano. A estatal PDVSA é vista como peça-chave na economia do país, e o bloqueio de petroleiros sancionados tem sido interpretado como uma tentativa de estrangulamento financeiro e pressão por mudança de regime.
Trump chegou a afirmar, sem apresentar dados, que suas ações reduziram o tráfico de drogas em mais de 97% e que cada embarcação destruída “salva milhares de vidas americanas”. Também acusou a Venezuela de “exportar criminosos” para os EUA, discurso que Caracas nega veementemente.
A retórica agressiva do presidente norte-americano levanta temores de uma nova fase do conflito, que pode avançar de operações navais para ações terrestres, ampliando a instabilidade política e militar na América do Sul.
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Redação Brasil News