Desde que Donald Trump reassumiu o comando dos Estados Unidos, o clima para imigrantes irregulares se tornou ainda mais tenso. O endurecimento das políticas migratórias tem gerado medo, especialmente entre brasileiros que vivem no país sem status legal. Casos de deportação, mesmo sem crimes graves envolvidos, têm se tornado mais comuns, e estratégias extremas estão sendo adotadas para tentar contornar o sistema.
De acordo com o advogado Gustavo Nicolau, que atua na Flórida, o número de brasileiros em busca de assessoria jurídica aumentou significativamente nos últimos meses. “Não é uma onda de deportações imediatas, mas o receio de que tudo desmorone de uma hora para outra”, comenta.
Entre as alternativas mais comuns adotadas por quem busca permanecer no país, estão os casamentos fraudulentos com cidadãos americanos — muitos com diferenças de idade gritantes ou histórico de múltiplos casamentos anteriores. Há ainda a criação de empresas fictícias para justificar investimentos ou comprovar vínculos falsos com o país.
Uma das opções mais buscadas por pessoas com alto poder aquisitivo é o chamado visto de investidor EB-5, que concede residência permanente mediante aportes a partir de US$ 1 milhão. O programa ganhou força com o aval do próprio Trump durante seu primeiro mandato e voltou a atrair interessados, inclusive celebridades brasileiras.
Mas nem todos têm condições de optar por esse caminho. Para muitas mães que entraram nos EUA sem documentação, a situação é dramática: seus filhos, mesmo sendo cidadãos americanos por nascimento, só poderão ajudá-las a regularizar a situação quando completarem 21 anos — tempo demais para quem teme a deportação a qualquer momento.
Especialistas alertam que os pedidos de refúgio e asilo por motivos humanitários devem enfrentar barreiras maiores nesta nova administração. Em contrapartida, o país tem ampliado oportunidades para profissionais qualificados com formação e experiência reconhecidas.
Segundo dados oficiais, mais de 48 mil imigrantes estão atualmente detidos no território americano, com cerca de 10% encaminhados a processos de deportação imediata. A rigidez da nova política migratória deve manter o ritmo de endurecimento nos próximos meses.