A recente redução de 10% na tarifa imposta pelos Estados Unidos sobre a carne bovina brasileira ainda não garante, por si só, um aumento imediato nos embarques ao país norte-americano. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), que afirma que o desempenho do setor no curto prazo continuará dependente da competitividade interna.

Mesmo com tarifas, o Brasil continuou exportando aos Estados Unidos cerca de 10 mil toneladas de carne bovina mensais .Foto: Adobe Stock
Segundo o dirigente, a pressão sobre o preço do boi gordo no mercado doméstico segue elevada, o que reduz a margem das indústrias e limita o potencial de expansão das exportações. “Mesmo com a queda tarifária, tudo vai depender do preço aqui dentro. Se a indústria perder competitividade, não adianta ter tarifa menor — o custo continuará impedindo o avanço das vendas”, afirmou.
Apesar do tarifaço aplicado pelos EUA ao longo do ano, o Brasil manteve média de 10 mil toneladas exportadas por mês. Para a Abiec, a expectativa é de algum crescimento, mas ainda sem projeções concretas. “Pode haver incremento, mas não é possível mensurar agora”, explicou o presidente da associação.
Especialistas também avaliam que o impacto imediato da redução tarifária tende a ser limitado. O pesquisador do Cepea/Esalq, Thiago Bernardino, afirmou que o mercado interno aquecido continua influenciando os preços internacionais. Segundo ele, fatores como oferta restrita no fim do ano, câmbio elevado e reajustes na carne vendida ao consumidor brasileiro pressionam o setor e podem frear novos embarques no curtíssimo prazo.
Bernardino ressalta que os próximos dias serão importantes para observar como o mercado reagirá. Para ele, um ajuste entre oferta doméstica, câmbio e preço pago pelos EUA deve definir o ritmo das exportações.
Apesar das incertezas, a Abiec considera positiva a redução tarifária anunciada pelos EUA, destacando que o movimento contrasta com o cenário de meses anteriores, quando o governo norte-americano cogitava ampliar tarifas. “É um sinal importante. Reduzir tarifas nunca é ruim”, afirmou o dirigente.
A entidade ainda espera que novos avanços ocorram nas negociações bilaterais, especialmente em relação à tarifa de 40% ainda aplicada sobre parte dos cortes exportados. Após a redução anunciada recentemente, a alíquota efetiva de entrada passou a 66,4%.
O setor acompanha de perto as movimentações, já que qualquer mudança no custo de exportação pode alterar significativamente a competitividade da carne brasileira no mercado internacional.
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Redação Brasil News