O almirante Alvin Holsey anunciou sua aposentadoria do comando do Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos, em meio a uma crescente crise política e militar relacionada à Venezuela. A decisão, tornada pública nesta quinta-feira (16), foi confirmada pelo secretário de guerra norte-americano, Pete Hegseth.
Holsey, que estava à frente do comando desde o fim do ano passado, deixa o posto em um momento delicado, marcado por denúncias internacionais de supostas execuções ilegais durante bombardeios realizados por forças americanas em águas do Caribe. Segundo o jornal The New York Times, os ataques tiveram como alvo embarcações suspeitas de transportar drogas, mas resultaram na morte de pelo menos 27 pessoas.
Em comunicado, Hegseth elogiou o trabalho de Holsey e destacou sua “visão estratégica e dedicação ao país”, mas a imprensa americana aponta que os elogios mascaram divergências internas sobre a condução das operações contra o governo de Nicolás Maduro.
Organizações de direitos humanos, como a Human Rights Watch, classificaram as ações militares como execuções ilegais e levaram o caso ao Conselho de Segurança da ONU.
Enquanto isso, o ex-presidente Donald Trump confirmou ter autorizado operações secretas da CIA na Venezuela, com o objetivo de “neutralizar ameaças”, o que aumentou ainda mais as tensões diplomáticas. Trump afirmou que os ataques teriam impedido o envio de drogas e criminosos aos EUA, embora não tenha apresentado provas que sustentem a alegação.
A saída do almirante, vista como inesperada, reforça o clima de instabilidade dentro do alto comando militar americano e aprofunda as incertezas sobre os próximos passos dos EUA na crise venezuelana.
Foto: Martin Cossarini/ REUTERS