
Ginecologista explica como menopausa, incontinência urinária e ressecamento podem ser tratados com técnicas regenerativas que devolvem conforto e autoestima.
Filha de comerciantes e primeira médica da família, Glaucia Carvalho descobriu cedo que sua vocação seria cuidar da saúde feminina. Desde a adolescência, dizia que seguiria carreira na medicina, mas foi no contato com a obstetrícia que se encantou de vez. “Eu me lembro de acompanhar partos durante a residência e pensar que não havia experiência mais intensa do que ajudar a trazer uma vida ao mundo”, relembra.
Essa escolha a levou a construir uma trajetória de décadas dedicada à ginecologia e obstetrícia, marcada pela escuta, pela proximidade com as pacientes e pela constante atualização técnica.
Dedicação ao cuidado feminino
No início da carreira, a médica se dividia entre maternidades e consultórios. Com o tempo, percebeu que as demandas de suas pacientes iam muito além de consultas de rotina ou de diagnósticos pontuais. “A ginecologia é também uma porta de entrada para muitas questões pessoais e emocionais. A paciente confia na gente para falar de dores, medos e inseguranças”, conta. Essa visão ampliada fez com que ela buscasse especializações em áreas como menopausa, ginecologia regenerativa e cirurgia íntima, integrando técnica e acolhimento.
Os desafios também fizeram parte da jornada. Durante a pandemia, a perda de pacientes para a Covid-19 marcou sua prática. “A dor maior é quando não há nada que possamos fazer. Isso reforçou em mim a importância de estar presente, de acolher, mesmo quando não temos todas as respostas”, diz. Essa experiência fortaleceu sua convicção de que a medicina precisa ser mais humanizada.
Menopausa, hormônios e qualidade de vida
Nos últimos anos, Glaucia se aprofundou no atendimento a mulheres na menopausa, fase que chega com transformações físicas e emocionais. A reposição hormonal é um dos principais pilares de seu trabalho, mas ainda enfrenta resistência devido a mitos. “Hoje sabemos que a reposição, quando bem indicada, reduz riscos de osteoporose, melhora pele, cabelo, disposição e até o humor. O problema é que muitas pacientes chegam desacreditadas, porque ouviram que hormônio faz mal”, explica.
Ela lembra do caso de uma paciente que dizia não sentir nada, mas apresentava níveis hormonais extremamente baixos. Após iniciar o tratamento, a mudança foi perceptível. “Ela se deu conta de que havia se acostumado a viver mal. Quando os hormônios foram ajustados, a vida dela voltou a ter cor”, conta. Para a médica, desmistificar a menopausa e mostrar que ela pode ser vivida com equilíbrio é uma das tarefas mais importantes do ginecologista.

Ressecamento e incontinência urinária: sintomas comuns, soluções reais
Entre as queixas mais frequentes das pacientes estão o ressecamento vaginal e a incontinência urinária. Ambas têm origem na queda hormonal e na perda de colágeno, afetando a lubrificação e a sustentação da musculatura pélvica. “É muito comum a mulher acreditar que isso é um destino natural da idade. Mas não precisa ser assim. Hoje temos alternativas seguras e eficazes para devolver conforto e qualidade de vida”, afirma.
Radiofrequência e laser são alguns dos recursos utilizados para estimular o colágeno e restaurar a saúde dos tecidos íntimos. Esses tratamentos reduzem sintomas de dor, ardência e desconforto durante as relações, além de fortalecerem a região contra pequenas perdas urinárias. “Nem sempre é preciso cirurgia. A maioria das pacientes consegue resultados significativos com tecnologias minimamente invasivas, que permitem rápida recuperação”, acrescenta.
Ninfoplastia e quebra de tabus
A cirurgia plástica íntima, conhecida como ninfoplastia, é outro procedimento bastante procurado. Embora muitas vezes seja associada apenas à estética, Glaucia ressalta que envolve também questões funcionais e de autoestima. “Já operei adolescentes que tinham dificuldade até de praticar esportes por causa do incômodo. Outras sofriam para iniciar a vida sexual. Nessas situações, a cirurgia não é vaidade: é qualidade de vida”, explica.
Com técnicas modernas, o procedimento pode ser feito em consultório, com anestesia local e recuperação em poucos dias. Para a médica, o mais importante é quebrar tabus. “Cada corpo é único. Não cabe ao médico julgar se a queixa da paciente é grande ou pequena. Se aquilo a incomoda, merece ser ouvido e tratado”, defende.
Tecnologias a favor da saúde íntima
No consultório, Glaucia utiliza radiofrequência, laser e bioestimuladores para personalizar o tratamento. Cada tecnologia tem indicações específicas: o laser é indicado para casos que exigem intervenção mais profunda, como a ninfoplastia, enquanto a radiofrequência é preferida em tratamentos de ressecamento e incontinência urinária. “A paciente pode sair da sessão e seguir sua vida normalmente. Esse aspecto é muito valorizado por quem já está sobrecarregada de tarefas”, detalha.
Ela também trabalha com preenchimentos íntimos e clareamento de pele, sempre com cautela e ênfase no respeito ao corpo da mulher. “Esses procedimentos não devem ser
tratados como algo fútil. Eles devolvem autoestima e ajudam a quebrar preconceitos. Quando a mulher se sente bem com seu corpo, isso se reflete em todas as áreas da vida”, pontua.
Um consultório para acolher
Com uma equipe enxuta e atmosfera acolhedora, a clínica no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro (RJ), foi planejada para que cada paciente se sinta à vontade. Além da secretária, que recebe as pacientes, Glaucia conta com uma nutricionista especializada em saúde da mulher e menopausa. “Não quero que minha clínica se torne empresarial demais e perca o lado humano. Meu objetivo é atender cada pessoa com tempo, calma e respeito”, afirma.
Atualização constante também é prioridade. A médica participa de congressos nacionais e internacionais, buscando sempre o que há de mais moderno para aplicar no consultório. “Eu não me vejo como pesquisadora, mas como médica de prática. Quero oferecer às minhas pacientes o que há de melhor, sem abrir mão da proximidade no atendimento”, reforça.
O futuro da ginecologia regenerativa
Para a médica, a ginecologia regenerativa deve se consolidar cada vez mais como parte essencial do cuidado feminino. Apesar dos desafios no acesso aos recursos mais modernos no sistema público, ela acredita que a tendência é de ampliação. “A mulher não procura apenas a cura de uma doença. Ela busca qualidade de vida, conforto, autoestima. A medicina precisa acompanhar essa demanda”, avalia.
Por fim, Glaucia reflete sobre sua filosofia de trabalho: “Nunca é tarde para se sentir bem, para viver uma vida sexual saudável ou para olhar para si mesma com mais carinho. A saúde íntima não é luxo, é parte da vida e merece atenção em todas as idades.”
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