A proposta foi aprovada de forma esmagadora em dois turnos com uma votação histórica de 75 votos a favor e apenas 1 contrário — registrado pelo senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). A tramitação célere da matéria a apenas 11 dias do segundo turno da eleição presidencial revelou uma manobra tática decisiva da oposição. Diante do impacto popular da pauta trabalhista impulsionada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a bancada oposicionista decidiu desembarcar da resistência inicial.
A virada de chave no plenário ocorreu após o próprio senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República e em plena disputa acirrada contra Lula nas urnas, liberar a bancada do Partido Liberal e votar a favor da PEC diretamente de Porto Alegre (RS), onde cumpria agenda de campanha. A estratégia da campanha bolsonarista visou neutralizar a narrativa governista e evitar que o PT utilizasse o tema de forma exclusiva como trunfo eleitoral na reta final das urnas.
Entretanto, nos bastidores do Congresso Nacional, aliados de Flávio Bolsonaro já articulam alternativas para ajustar o modelo econômico a partir de 2027, defendendo propostas como a regulamentação do pagamento proporcional por horas trabalhadas para reduzir os custos operacionais do setor produtivo.
A fala vazada de Davi Alcolumbre simbolizou o desfecho de dias de intensas negociações no Congresso, demonstrando a capacidade de articulação do comando do Senado para unificar pautas de grande apelo popular em pleno clímax do calendário eleitoral brasileiro.
Foto: Carlos Moura / Agência Senado / Reprodução | Redação – Thiago Salles