A tensão tomou conta dos corredores do Supremo Tribunal Federal antes da sessão histórica que definirá o futuro de uma das figuras mais influentes da Corte. A possibilidade de um pedido de vista paralisa a conclusão oficial do julgamento, mas pode ter o efeito oposto nos bastidores: pressionar os magistrados a adiantarem publicamente seus posicionamentos sobre a abertura de um inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes.
A sessão iniciará com o voto do presidente do tribunal, Edson Fachin, que assumiu a relatoria do caso no último sábado. Logo na sequência, está previsto o posicionamento do ministro Flávio Dino. O plenário estará desfalcado e contará com uma composição reduzida de apenas oito votantes. Além da vaga em aberto no tribunal, os ministros Dias Toffoli e o próprio Alexandre de Moraes devem se declarar impedidos de votar — Toffoli por ter deixado a relatoria anterior após ter seu nome citado nas apurações e Moraes por ser o alvo direto das acusações.
Nos bastidores, desenha-se um cenário de divisão profunda na Corte. De um lado, uma ala aposta na formação de maioria favorável à abertura de investigações contra Moraes, somando posições de ministros como André Mendonça, Nunes Marques, Luiz Fux, Cármen Lúcia e o próprio Fachin. Do outro lado, magistrados como Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin são apontados como votos prováveis para barrar o avanço do processo.
Caso o pedido de vista se confirme, a análise formal pode ser paralisada por até 90 dias, prazo que pode se estender por quase um ano caso ocorram novos pedidos sucessivos. Contudo, mesmo sem valor jurídico imediato para deflagrar a apuração durante a suspensão, o adiantamento dos votos servirá para escancarar o mapa político interno da Corte e a real disposição dos ministros em investigar um de seus pares.
Foto: Nelson Jr. / SCO / STF | Redação – Thiago Salles