A natureza reserva cenários que parecem desafiar as leis da física em uma região vulcânica associada ao El Malpais National Monument, no estado do Novo México (EUA). A chamada Ice Cave, uma cavidade formada no interior de um antigo tubo de lava ligado ao vulcão Bandera, abriga um microclima congelado permanente que não derrete mesmo sob o calor escaldante do deserto.
Localizada em uma propriedade privada e reconhecida pelo National Park Service norte-americano, a caverna guarda no seu fundo um piso congelado de tom azul-esverdeado com espessura estimada em mais de 6 metros (20 pés). Registros geológicos apontam que as camadas de gelo natural vêm se acumulando de forma contínua há mais de 3.400 anos, renovadas pela água da chuva e da neve derretida que infiltra pelas rochas e congela imediatamente ao atingir o interior da estrutura.
A explicação para o gelo eterno sobreviver a verões que oscilam entre 26 °C e 35 °C na superfície está na geometria única do tubo de lava. Como o ar frio é mais denso e pesado que o ar quente, ele desce para o ponto mais profundo da cavidade e fica preso em uma espécie de “armadilha térmica”. A abertura estreita do teto colapsado limita a entrada de correntes quentes, enquanto a rocha vulcânica altamente porosa atua como um isolante térmico de alta eficiência, mantendo a temperatura interna cravada em -0,6 °C (31 °F) durante todo o ano.
A formação, que nasceu a partir do escoamento de lava e consequente resfriamento de sua crosta externa há milênios, consolida-se como um dos exemplos mais raros e preservados de tubos de lava congelados no mundo. O contraste entre o ambiente árido do deserto e a caixa de gelo subterrânea atrai milhares de visitantes e continua a ser objeto de estudo sobre a retenção de microclimas na Terra.
Foto: Reprodução / Redes Sociais / O Antagonista
Redação – Thiago Salles