Durante o encontro com a cúpula do governo, a empresária Paula Lavigne expôs o grave momento financeiro enfrentado pelo setor cultural no país. Em tom de desabafo, a produtora relatou que o endividamento e o dreno do orçamento das famílias brasileiras por meio das casas de apostas online têm esvaziado os eventos pagos.
“Promovo shows há 40 anos e nunca vi nada igual, as plateias estão vazias”, declarou a produtora. Ela ressaltou o contraste de mercado ao pontuar que eventos gratuitos continuam lotados, citando como exemplo o uso de emendas parlamentares voltadas a grandes shows sertanejos pelo país, enquanto o circuito de bilheteria privada e artistas independentes sofrem para manter a viabilidade financeira.
Para além do impacto na renda dos espectadores, Paula Lavigne destacou a assimetria que o avanço das bets cria na captação de patrocínios. Segundo ela, grandes nomes como Caetano Veloso, Marisa Monte, Anitta e Emicida possuem autonomia para recusa contratual, mas artistas de menor porte acabam reféns desses recursos para viabilizar suas carreiras.
Como encaminhamento ao presidente Lula, a produtora solicitou restrições severas ao setor de apostas e sugeriu que essas empresas sejam expressamente proibidas de financiar projetos culturais por meio dos mecanismos de incentivo fiscal da Lei Rouanet, caso não haja o banimento completo das plataformas no território nacional.
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Redação – Thiago Salles