A Organização para a Cooperação de Xangai (OCS) deu início à sua cúpula anual em Bishkek, capital do Quirguistão, marcando o 25º aniversário da fundação do bloco político, econômico e de segurança liderado por Pequim e Moscou. O encontro, que reúne cerca de uma dúzia de chefes de Estado e de governo — incluindo o presidente chinês Xi Jinping, o líder russo Vladimir Putin, o primeiro-ministro indiano Narendra Modi e o presidente iraniano Massoud Pezeshkian —, ocorre em um momento de elevada volatilidade diplomática após os recentes bombardeios conduzidos pelos Estados Unidos contra o Irã.
Fundada em 2001 por China, Rússia e nações da Ásia Central, a OCS consolidou-se como um fórum de cooperação euroasiático alternativo às alianças lideradas pelo Ocidente, expandindo sua presença ao integrar potências regionais como Índia, Paquistão, Irã e Belarus, além de manter parcerias de diálogo com países como Turquia, Arábia Saudita e Catar. Para Pequim e Moscou, a adesão contínua de novos membros representa uma demonstração de capacidade de articulação multipolar, contrastando com o isolamento promovido por sanções ocidentais.
Apesar da projeção diplomática, analistas e especialistas em geopolítica internacional apontam limitações estruturais no bloco, destacando que a OCS não possui mecanismos de defesa coletiva vinculantes comparáveis aos do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A eficácia da organização é testada pela dependência crescente em relação à agenda econômica chinesa e pelas rivalidades internas entre integrantes, a exemplo dos conflitos históricos entre Índia e Paquistão e das disputas de fronteira na Ásia Central.
A participação do presidente iraniano Massoud Pezeshkian na cúpula busca sinalizar resistência ao isolamento imposto pelas sanções e bombardeios norte-americanos, apostando no fortalecimento de acordos de inteligência, energia e comércio com Pequim e Moscou. O alinhamento do bloco diante da crise no Oriente Médio servirá como prévia para os próximos compromissos da agenda global, incluindo a cúpula dos BRICS em Nova Délhi e a reunião bilateral entre Xi Jinping e o governo americano em Washington.
Foto: Kyrgyzstan’s Presidential Press / Sultan Dosaliev
Redação – Thiago Salles