EUA anunciam “Dia D econômico” e prometem a maior ofensiva financeira da história para isolar o regime do Irã.

Internacional

A administração do presidente Donald Trump deu início a uma nova etapa na escalada de tensões geopolíticas no Oriente Médio ao formalizar a abertura de uma ofensiva financeira sem precedentes contra o governo do Irã. Batizada pela Casa Branca e pelo Departamento do Tesouro dos EUA de “Dia D econômico”, a estratégia busca complementar as recentes operações militares na região, direcionando o foco para o estrangulamento definitivo da economia iraniana e o bloqueio total do acesso do país às moedas de reserva internacional.

As diretrizes do novo plano foram antecipadas pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, em publicações nas redes sociais e em um artigo assinado no jornal britânico Financial Times. De acordo com o chefe da pasta financeira norte-americana, a fase estritamente militar liderada pelas Forças Armadas dos EUA cumpriu o papel de degradar as capacidades operacionais e enfraquecer o programa nuclear de Teerã. A partir de agora, o governo norte-americano passa a aplicar a fase final da estratégia de sufocamento, visando cortar os fluxos de caixa que sustentam o regime.

O ponto central da nova política reside na aplicação ostensiva de sanções secundárias, mecanismos punitivos que atingem diretamente nações aliadas ou neutras e corporações privadas que mantiveram laços comerciais com os iranianos. Bessent emitiu um aviso contundente informando que governos e empresas que continuarem a comprar ou transportar o petróleo iraniano, facilitar transferências de combustível em alto-mar, operar voos comerciais ou processar transações financeiras por meio de casas de câmbio e zonas de livre comércio arriscam perder o acesso imediato ao mercado e ao sistema financeiro dos Estados Unidos.

A declaração oficial do Tesouro ocorre poucos dias após o próprio presidente Donald Trump utilizar a rede Truth Social para prometer “a operação econômica mais esmagadora já lançada contra qualquer país na história moderna”. Apesar da retórica contundente, os detalhes operacionais do pacote de sanções e a lista exata dos alvos comerciais serão apresentados oficialmente por Scott Bessent em uma coletiva de imprensa agendada para a noite desta segunda-feira. O mercado financeiro aguarda o anúncio para mensurar os impactos reais das medidas sobre o comércio global.

Apesar da expectativa em torno do anúncio das medidas coercitivas, os mercados mundiais de energia reagiram com cautela e volatilidade na manhã desta segunda-feira. Os preços do barril de petróleo registraram queda superior a 1,5% nas primeiras horas de negociação nas bolsas internacionais, com o contrato do tipo Brent sendo cotado próximo dos US$ 91,50. Analistas financeiros atribuem a depreciação momentânea das cotações a um movimento de realização de lucros após as recentes altas e ao registro de um aumento pontual no tráfego de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz durante o fim de semana.

Dados de monitoramento de tráfego marítimo indicam que cerca de 40 petroleiros conseguiram atravessar o canal estratégico entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado, escoando aproximadamente 16 milhões de barris de petróleo bruto. Apesar desse pico de movimentação pontual, os volumes totais de commodity que navegam pela região permanecem substancialmente abaixo das médias históricas registradas antes do eclosão do conflito. Simultaneamente, as bolsas de valores na Europa operam em estabilidade, enquanto os índices futuros de Nova York sinalizam abertura em campo negativo diante das incertezas sobre o abastecimento energético global.

Foto: AP Photo / Jacquelyn Martin – Redação – Thiago Salles

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