Segredo de séculos vem à tona: eletricista abre passagem escondida e revela tesouro artístico perdido em palácio de Roma.

Internacional

Uma simples manutenção elétrica acabou revelando um dos segredos mais impressionantes guardados pela arquitetura histórica de Roma. Durante uma inspeção na Villa Farnesina, um dos mais importantes palácios renascentistas da capital italiana, um eletricista encontrou três afrescos do século XVII que permaneceram escondidos por centenas de anos.

O responsável pelo achado foi Davide Renzoni, que trabalhava na verificação de instalações elétricas quando passou por um pequeno alçapão que levava a uma área pouco acessível do prédio. Ao iluminar o espaço acima de um teto falso, ele se deparou com pinturas coloridas que até então eram desconhecidas pelos pesquisadores.

As obras estavam localizadas acima de uma cobertura criada durante reformas realizadas no século XIX. A intervenção acabou escondendo as pinturas, mas também contribuiu para sua preservação, protegendo-as da ação do tempo, de alterações estruturais e da exposição direta.

Os afrescos ficavam em uma área que fazia parte da antiga sala de estar de Agostino Chigi, banqueiro e grande mecenas do Renascimento. O local já era conhecido por abrigar obras importantes de artistas como Rafael, mas a nova descoberta revelou uma parte ainda desconhecida da história do palácio.

Entre os detalhes encontrados estão figuras de pequenos querubins com tons vibrantes de azul, vermelho e dourado, elementos decorativos, paisagens e símbolos associados à família Farnese, antiga proprietária da villa.

Um dos elementos mais importantes identificados pelos especialistas foi um baixo-relevo com o brasão da família Farnese. O símbolo ajudou pesquisadores a relacionar as pinturas ao período posterior à aquisição do imóvel pelo cardeal Alessandro Farnese, em 1579.

Estudos preliminares indicam que os afrescos podem ter ligação com o pintor barroco Carlo Maratta e sua oficina, incluindo artistas como Girolamo Troppa e François Simonot. A confirmação da autoria ainda depende de análises técnicas e históricas mais aprofundadas.

A Villa Farnesina, construída no início do século XVI, é considerada uma joia da arquitetura renascentista italiana. O palácio foi adquirido pelo Estado italiano em 1927 e passou por diversos trabalhos de conservação ao longo das décadas.

Apesar das pesquisas e restaurações realizadas no local, a existência daquele espaço oculto permaneceu desconhecida até a descoberta casual durante a manutenção.

Por questões de segurança e preservação, os afrescos não foram abertos para visitação pública. Para permitir que visitantes tenham acesso ao achado, a administração da villa disponibilizou imagens em alta resolução, vídeos e registros feitos por câmeras.

A descoberta reforça uma ideia que fascina historiadores: mesmo construções amplamente estudadas podem esconder capítulos inteiros de sua própria história atrás de paredes, tetos e estruturas modificadas ao longo dos séculos.

Foto: Reprodução/Arquivos da Villa Farnesina – Divulgação
Redação – Ana Flavia

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