A nova ofensiva protecionista da gestão de Donald Trump terá um impacto profundo na balança comercial brasileira. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, informou nesta quinta-feira (16) que o recém-anunciado “tarifaço” de 25% aplicado pelos Estados Unidos deve alcançar cerca de 18% de tudo o que o Brasil exporta para o mercado norte-americano. O percentual equivale a uma barreira financeira sobre US$ 7,4 bilhões em mercadorias, tomando como base o histórico de embarques de 2024. Se calculada sobre a pauta exportadora de 2025, a medida atinge 15% das vendas, somando US$ 5,8 bilhões.
A sobretaxa aduaneira entrará em vigor oficialmente na próxima quarta-feira, 22 de julho de 2026. Em caráter de transição, o governo norte-americano definiu que produtos que já estejam em trânsito marítimo ou aéreo e que passem pelo desembaraço aduaneiro nos portos dos EUA até o dia 29 de julho ficarão isentos da nova alíquota. O ministro Márcio Elias Rosa explicou que a prioridade imediata determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva será dar suporte governamental estratégico aos segmentos mais fragilizados pela medida restritiva, tais como a indústria de madeira, móveis, calçados, açúcar, produtos cerâmicos, máquinas e equipamentos elétricos. O plano de contingência prevê, principalmente, incentivos fiscais e comerciais para a diversificação de novos mercados compradores pelo mundo.
O anúncio oficial da taxação extraordinária foi realizado no fim da noite de quarta-feira (15) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), amparado pela chamada “Seção 301” da legislação comercial de Washington. Para justificar o imposto, a Casa Branca acusa o Brasil de adotar barreiras em comércio digital, na infraestrutura de pagamentos eletrônicos (como o Pix), em propriedade intelectual e no mercado de etanol, além de alegar falhas no combate ao desmatamento ilegal. A equipe econômica e diplomática brasileira rechaçou as acusações em coletiva de imprensa conjunta em Brasília, pontuando que o Brasil não aceitará violações à sua soberania nacional.
“O governo brasileiro jamais celebrará hoje, ou qualquer data, qualquer tipo de acordo que possa representar a violação dos interesses do país e do setor produtivo das brasileiras e dos brasileiro”, ressaltou Márcio Elias Rosa.
Apesar da rigidez do anúncio, a pressão inflacionária interna nos EUA forçou a publicação de uma lista de exceções com mais de 2 mil itens livres do tarifaço. O USTR poupou commodities cruciais e insumos básicos brasileiros alegando falta de produção correspondente em solo norte-americano, o que livrou da barreira de 25% produtos de alto impacto financeiro, como carne bovina, café, suco de laranja, celulose, petróleo cru e peças destinadas à montagem aeroespacial.
Foto: Júlio César Silva/MDIC / Redação – Thiago Salles